A farsa da essência

Ouço com uma frequência muito grande a diferença que as pessoas fazem entre essência e aparência, entre o que mostra e o que realmente é (novamente a tal da essência), entre o que faz e o que é no fundo (mais uma vez essência).

Talvez seja um cordeiro que se acredita lobo!

Tenho chegado numa conclusão meio embrionária.

Não existe essência, só ação.

Uso o seguinte método, o que não dá para ser filmado é delírio pessoal, por mais bonito e puro que seja.

Pense comigo.

Você sente amor e mostra indiferença (para proteger sua “essência” de ser machucada). O que se vê na filmagem? Uma pessoa arredia ao contato humano. Importa se ela tiver amor contido dentro dela por 30 anos seguidos? Só ela vai guardar de si uma imagem bonitinha, mas na real, só indiferença.

Você diz que quer estudar mais e na realidade não consegue. Pode achar que por dentro sabe que tem potencial e de tudo o que pode realizar intelectualmente. O que a câmera grava? Uma pessoa que tira notas baixas. Reprovar de ano é a realidade percebida, realmente conta se dentro da sua cabeça se achar um gênio não reconhecido? Realmente não consegue ou não quer arriscar o sonho?

Você é visto como arrogante, mas sabe que no fundo é timidez. O que os outros veem? Uma pessoa que não interage e sempre espera que os outros a busquem para oferecer algo de si. Importa seu medo interno ou o que as pessoas percebem?

Você é uma pessoa fechada no seu mundo, mas no fundo sabe que é generosa e carinhosa. Mas o que se vê é uma pessoa que faz muito pouco pelos outros. Ou seja que deveríamos avaliar o que a pessoa oculta do mundo!

Mas como medir tudo o que se passa dentro do outro, seria possível viver num mundo telepático que ninguém sabe o que o outro é a não ser pela boa intenção e o desejo não manifesto?

O assassino que não mata mais é assassino?

O incrédulo que cultiva sua fé é realmente incrédulo?

A pessoa que vive com a outra por interesses escusos por anos tem pouca consideração mesmo?

Fico pensando na quantidade enorme de gente que acredita-se ser mais do que realmente faz. Vivem iludidas pela ideia de uma certa pureza imaculada mas que não interage no mundo real.

Também conheço pessoas que se denominam pequenas mesmo com atitudes nobres. Qual o sentido de rebaixarem suas imagens para si mesmas?

Voce pode ser um filantropo em sua mente…

Pode ser um milionário em potencial…

Uma promessa de futuro brilhante…

O herdeiro da Terra feliz…

Mas se não estender uma força física para beneficiar alguém…

Não conquistar a riqueza que deseja…

Cumprir a promessa aqui-agora…

Fazer a Terra de hoje habitável…

… você é só uma fumaça de grandeza, na prática pode ser a pessoa medíocre típica que costuma criticar.

Se você quer saber o que é de fato? Grave seu cotidiano e veja o video no dia seguinte, pouco importa o que estava pensando, importa como agiu.

Para não cair no discurso de de Big Brother Brasil de “ninguém sabe o que eu realmente sou e por isso fui eliminado!”, renove-se.

Veja seus melhores momentos e pense se foram os melhores de fato ou só na sua cabeça!

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Sonhador nato, psicólogo provocador, apaixonado convicto, escritor de "Como se libertar do ex" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão e lava pratos.

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  • José Victor

    Acredito que não temos essencia alguma, que não faz sentido acreditar em algumas caracteristicas que podem nos definir. Estamos sempre em movimento, nos reiventando a cada dia por atitudes que inflluem no mundo. Assim as pessoas podem nos notar e ver que nossas ações são condizentes com a imagem que projetamos e acreditamos ser. Mas nada disso ainda faz sentido pra mim neste momento, gostaria de atingir um dia a liberdade que venho lendo nos livros budistas, ser aquele ser livre de qualquer fixação, e assim poder manifestar todo tipo de ação que vise beneficiar todos os seres. Ser um espaço vazio onde tudo pode acontecer, sem se deixar levar por obstaculos e emoções que nos deixam alienados no nosso auto-centramento. Dai penso comigo, qual é a essencia que me define, aquela que norteia o modo como encaro a vida ? Não há, haja vista que estou sempre alterando minha perspectiva e me permitindo que nossas ações surjam de uma postura sem identificação.

    Frederico, é possivel atingir um estado assim, de lucidez, onde não nos apegamos a qualquer coisa que acreditamos ser, que manifestamos no mundo, assim podemos ser livres pra deixar que as ações surjam ?

    abraço! to garimpando seu blog ainda ;D
    tem muita coisa boa por aqui.

    • Olha, José Victor, não sei dizer que precisão.

      Tem fases que acredito piamente que essa limpeza profunda é possível, outros momentos que isso me soa um pouco purista e idealista a ponto de paralisar.

      De qualquer forma o ideal pode ser inspirador na medida que não aprisionarmos nessa idealização. De tempos em tempos é fundamental fazer uma “auditoria” na cabeça e rever alguns pontos sem fazer disso uma tortura ou martírio!

      Eu também to garimpando meu blog! rsrsrsr

      Abraço

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  • Daniela

    Alguem lembra o autor da frase “Nada mais triste do que ter somente um grande potencial?” ( ou algo parecido com isso…).
    Tenho pensado muito nisso!

  • Acho essa visão incrível e concordo com parte dela, mas achei meio cruel isso de ”Você diz que quer estudar mais e na realidade não consegue. Pode achar que por dentro sabe que tem potencial e de tudo o que pode realizar intelectualmente. O que a câmera grava? Uma pessoa que tira notas baixas.”. De fato, o que gravam é a sua imagem sendo um e suas atitudes também demonstram isso, mas e se o que você deseja vai além disso ? O que acontece quando há uma luta por mudança e poucos a notam ? Como ficam os anseios, o esforço pessoal e a derrota nisso tudo ?

  • Fernando Vilela

    Não existe essencia pois tudo muda, tudo muda sem parar. Nada é o mesmo ou permanece. Nem os desejos, sentimentos e pensamentos mais profundos do ser humano são imutaveis. Ora amamos alguém, ora o odiamos, ora somos indiferentes… Então a ideia de Eu, essencia, identidade, intimo, individualidade, ser, eu interior, ou o verdadeiro eu é falsa e ilusória. O Eu individual é uma construção social e em perpetua mutação. Heraclito vence Parmenides.