10 coisas que você NÃO gostaria de saber sobre a Maconha

“Concordo com o projeto de descriminalizar o consumo de maconha, mas discordo de quem afirma que qualquer uso de maconha seria inócuo. Nos adolescentes, por exemplo, um consumo diário e intenso (solitário, já de manhã) é frequentemente o sinal de uma depressão que é MUITO difícil vencer, uma vez que ela se instala.
Entendo que alguém, mofando num tédio mortal (e inexplicado), chegue à conclusão de que a vida sem maconha é uma droga. Mas, infelizmente, em regra, a droga aprofunda o vazio que ela é chamada a compensar ou corrigir. Ou seja, talvez a vida sem maconha seja uma droga, mas a maconha sem vida também é.” [*]

Contardo Calligaris, psicanalista e escritor

Antes de mais nada gostaria de ressaltar que não estou fazendo nenhuma apologia ou estímulo sobre o uso da maconha ou qualquer outro tipo de droga. Mas me sinto no dever de informar para quem quer que seja algumas realidades particulares que tenho encontrado na experiência clínica com usuários de maconha. Não podemos fingir que a maconha não está por aí e nem achar que ela será erradicada do mundo, por isso é fundamental que se fale sobre esse assunto tão antigo.

Como a prevenção e a informação são as melhores formas de evitar que algo aconteça acho que esse assunto merece ser melhor abordado para conhecimento de pais, educadores, profissionais da área da saúde e àqueles que podem estar tentados a experimentar a maconha, se já não fazem uso dela.

Minha experiência pessoal com a maconha é nula. Em dois momentos da minha vida me vi diante dela. Um amigo de adolescência foi chamado a fazer um “rolê”, não entendi nada, só vi que os olhos dele brilharam, quis ir junto. Achei que ele ia passear em algum lugar legal. Ele me barrou e disse “você é bom demais para fazer isso, outra hora te explico, você fica aí, daqui a pouco eu volto.” Não entendi na hora e me senti até humilhado, depois ele me explicou o que aconteceu. Aquele dia foi premiado com umas cacetadas de uns policiais. Pensei “deve ser algo perigoso”.

Muitos anos depois outro amigo me mostrou de perto e me colocou nas mãos e me disse “você é o tipo de pessoa que não deveria entrar nessa, seu coração é grande, tem muita gente para ajudar”. Pensei melhor e recuei. Achei estranho ouvir o mesmo argumento. Decidi que preferiria tratar essa questão de outra forma e não experimentei, talvez mais por medo de gostar do que outra coisa.

Lógico que em minha formação acadêmica pouco se falou sobre o tema, mas minha curiosidade sempre me fez pesquisar tudo o que pude, além do que a faculdade ofereceu. Resultado, sou um conhecedor teórico e de ouvido sobre o assunto, vou falar sobre a maconha com essa ressalva.

No consultório de psicologia nunca me deixei paralisar pelos meus preconceitos, sempre questiono todos até o limite de minhas forças. Acho que desenvolvi uma tolerância e abertura para a diversidade humana que até aborrece meus amigos mais próximos. Isso me ajudou a ouvir as pessoas que chegam até o consultório querendo compreendê-las a partir do ponto de vista delas e não do meu.

Curiosamente  atendo e já atendi muitos usuários de maconha e acho que até onde pude perceber eles sempre se sentiram acolhidos pelo meu olhar. Graças a essa postura de abertura, não repressiva, condenatória, moralista ou autoritária creio que cheguei em reflexões muito mais profundas e com resultados muito mais produtivos do que se assumisse que o único problema que uma pessoa tem na vida é a maconha. No meu entender, a maconha é só mais um aspecto que compõe a complexidade que constitui o problema daquela pessoa.

Isso me ajudou a chegar nas conclusões inconclusivas que apresento até agora. Se quiser informações mais técnicas clique aqui.

O tempo de clínica me ajudou a questionar alguns mitos que giram em torno da maconha. Agora tomei coragem para compartilhar com vocês.

1. “Maconha é ruim!”

Acho que devo esclarecer o que entendo por ruim. Ruim é algo que causa desprazer e sensação de repugnância, asco, rejeição orgânica, psicológica ou social. Ruim, portanto, é um entendimento bem relativo de pessoa para pessoa. Acho dobradinha ruim, meu pai adorava. O mesmo acontece com a maconha.

Existem pessoas que ao experimentar tem uma experiência de ansiedade crescente, acompanhada de euforia, um pouco de paranóia e mal-estar. Outras pessoas e talvez a maioria dos usuários tenha uma sensação de uma certa leveza, associada com divertimento incondicional, alegria, tranquilidade, pensamento expansivo e perda da sensação da passagem do tempo. Eles atribuem isso como uma boa experiência e negar isso seria ingenuidade. No entanto, o fato de causar uma sensação de prazer à curto prazo não implica que seja produtivo e psicologicamente saudável. Ruim como sensação não é, mas causa danos como consequências. Pessoalmente, eu vejo muito mais perdas do que benefícios, afinal sou do pensamento que a maior loucura da vida é ficar lúcido e sobreviver ao caos.

2. “Faz mal a saúde”

 Nesse aspecto existe um debate interminável entre os anti-maconha e os pró-maconha. Estudos alegam que o uso controlado em hospitais para certas doenças crônicas aliviam alguns sintomas de mal-estar. Outros estudos atestam perda de neurônios, dependência física à longo prazo, prejuízo pulmonar e baixa de testosterona. Meu olhar vai em outra direção: da saúde emocional.

Penso que esse é o aspecto mais nocivo da maconha. A vida juvenil apresenta mil desafios e exige que o jovem enfrente decisões cada vez mais complexas e difíceis. Acredito que um bom equilíbrio entre conquistas e frustrações vai criando um jovem adulto mais saudável.

Alguém que desenvolve “músculos emocionais” fortes costuma enfrentar as coisas tal como acontecem. O problema da maconha, no meu entender, é que ela afrouxa essa capacidade combativa. Faz a pessoa ter um otimismo bobo e uma sensação de bem-estar passivo que desacelera o tempo de reação vital dela. A capacidade de se concentrar diminui e aquela reatividade necessária para se reerguer do bom combate fica comprometida. Resultado: uma pessoa incapaz de assumir os compromissos crescentes que o início da vida adulta apresenta. Acredito que esse é um dos pontos fundamentais da terapia com usuários de maconha. [para mais clique aqui]

3. “Maconha causa depressão”ou “Vai deixar a pessoa louca”

 Tenho uma visão muito particular sobre a presença de transtornos mentais associados à maconha. Penso que a maconha não causa depressão, ansiedade, Transtorno do pânico ou esquizofrenia. O que observo é que as pessoas que tem esses quadros psicológicos pré-existentes estão mais vulneráveis a fazer uso da maconha na adolescência. Traduzo, uma criança que trazia uma predisposição depressiva, ansiosa ou psicótica começa a manifestar esses sintomas na época da adolescência com mais intensidade por conta das mudanças hormonais.

Uma depressão que estava camuflada na infância (em forma de irritabilidade e falta de concentração) surge na adolescência como uma inadequação social associada a uma depressão crescente. Os pais ignoram esses sinais por muitos motivos (falta de informação, desconhecimento do que é razoável na adolescência, falta de proximidade com o filho ou até pais com problemas psicológicos iguais) e com isso deixam escapar essas mudanças de comportamento. Afinal, adolescência é uma fase enigmática para todos. Como o adolescente não percebe sua vulnerabilidade emocional acaba encontrando na maconha uma forma de contornar alguns sintomas presentes nesses quadros depressivos ou ansiosos (como uma automedicação).

No entanto é uma maquiagem superficial que contorna os sintomas por curto tempo. A longo prazo só aprofunda o drama emocional. E alguns estudos mostram que o uso continuado de substâncias estimula o surgimento de um quadro psiquiátrico latente  (não cria, só exalta).[para mais clique aqui]

4. “Causa dependência!”

 Entre as drogas mais usadas o potencial de dependência química da maconha nem é tão grande (o álcool é o quinto, o tabaco é o nono e a maconha nem entra nas 10 mais).

No entanto acredito que o grande poder de aderência da maconha se deve às sensações de prazer e alívio de tensão interna que ela traz. A dependência psicológica é maior do que a química. Ela cria uma compulsão emocional fortíssima, pois a pessoa não consegue mais associar situações de divertimento e bem- estar sem fazer o uso da maconha. Comparo a um cara que tem uma ansiedade tremenda e que toma Viagra para garantir sua ereção por mais tempo e reconquistar sua autoconfiança sexual que estava abalada. Depois de um tempo já não consegue mais transar sem o Viagra e mais adiante se pega deprimido e ainda mais impotente. Agora já não consegue resolver o real problema e também não se arrisca a transar para valer sem o remédio.

A compulsão emocional leva o usuário a perder sua capacidade de fazer escolhas legítimas e reais, pois o limiar de discernimento fica comprometido. Para alguns casos a maconha passa a ocupar um papel psicológico parecido com um relacionamento amoroso daqueles fervorosos e obsessivos. Todo o resto da vida fica ocupado, pois para adequar o uso da maconha em sua vida a pessoa abdica de alguns trabalhos, convívios sociais e relacionamentos de amizade, amorosos e familiares. Do mesmo jeito que o trabalho para alguns pode assumir características compulsivas a maconha também.

5. “É coisa de bandido”

 Acho que o uso de maconha é coisa de pessoa, como eu ou você, usuário ou não. O uso de maconha não faz da pessoa um contraventor. Os últimos debates sobre a descriminalização do uso da maconha vem questionando exatamente o limiar do que diferencia o usuário comum daquela pessoa que trafica. Seu filho, amigo ou conhecido continua sendo uma pessoa amada, tratá-la assim facilita as coisas. Se quer ajudar nunca perca de vista a identidade original daquela pessoa.

 6. “Começa na adolescência”

 A adolescência costuma ser a fase em que mais se inicia o uso da maconha, mas não é exclusividade desse período da vida. A adolescência é uma fase muito vulnerável ao potencial uso de drogas em geral. Período da vida recheado de grandes revelações e liberações pessoais.

Na competição feroz que existe entre os que mais se destacam e aqueles que ficam na obscuridade a maconha surge como um símbolo de liberdade pessoal, coragem e rebeldia entre os jovens. Para eles usar maconha é um status de desbravamento social, se você usa é “descolado” e está na mesma pegada e onda que os outros. Acham que as festas são mais gostosas, os baladas mais divertidas e até os papos com os amigos ficam mais soltos. Se quer fazer parte desse clube a maconha é um bom cartão de visitas. Para alguns jovens inseguros de si e ávidos por fazer parte da turma pop recusar é um passaporte para uma vida social isolada. A pressão social é forte!

7. “Meu filho ficou diferente!”

 Sim, seu filho está diferente, mas você também, pois não consegue mais olhar para aquela criança crescida como antes. Já não consegue mais se relacionar com seu filho para além da maconha. Reduziu cada manifestação dele de raiva ou afetuosidade como fruto da maconha. Já não sente honestidade, cumplicidade ao carinho genuíno em relação a ele.

Normalmente a pessoa começa a alterar o comportamento quando está numa fase mais adiantada do uso da maconha. Aquele rolê (saída com amigos ou sozinho para usar maconha) esporádico começa a ficar diário e a pessoa tem que criar artifícios para conseguir a droga e depois fumar em local seguro. Essa paranóia constante pode provocar irritabilidade, mudanças de horários habituais, ida a locais perigosos e tudo isso junto provoca alteração no comportamento.

8. “Vai abrir porta para outras drogas”

 É importante dizer que cada droga tem um efeito específico, existem as drogas estimulantes, depressoras e alucinógenas. Portanto, existem personalidades de pessoas que se adequam mais a um tipo de droga específica. É natural que pessoas mais depressivas e apáticas emocionalmente procurem drogas mais estimulantes como cocaína e anfetamina. Pessoas mais ansiosas tendem a procurar drogas depressoras como álcool, sonífero e heroína. E pessoas que estão emocionalmente anestesiadas buscam as drogas alucinógenas como a maconha e o ecstasy.

Isso quer dizer que a pessoa tende a aderir a um tipo específico de droga dependendo do que precisa para tapar um buraco emocional. A maconha costuma ser uma droga de mais fácil acesso. O fato da pessoa procurar drogas mais potentes (em dependência química) não quer dizer que ela incita outras drogas, apenas é uma fase de experimentação de alguma droga até chegar àquela que mais se adeque.

9. “É o fim da pessoa, precisa internar”

 Nem sempre o usuário de maconha precisa ser internado. Entendo que a internação deve ser aplicada em casos que existe um tipo de prejuízo psicológico, social e profissional/estudantil considerável. O tratamento não é fácil, pois o usuário minimiza os riscos potenciais da maconha. Ele trata ela como uma pessoa quase, uma droga amiga e companheira de momentos bons e ruins. A pessoa que usa maconha tem uma relação quase emocional com a droga e ela costuma marcar uma certa fase da vida dela. Abandonar esse idealismo que gira em torno da maconha é o mais difícil.

10. “É coisa de gente fraca e covarde”

 Acho que é coisa de gente que precisa de reforço na vida e cair na real de que está emocionalmente doente. Para finalizar gostaria de explicar o que as pessoas costumam buscar na maconha e ninguém entende. Agora, não se trata de concordar com essas coisas ou não, mas constatar que são buscadas pelos usuários.

Essas são algumas características relatadas por algumas pessoas e notei como traços comuns:

 Relaxamento

Alegam que ficam mais calmas e menos irritadas com as situações. O problema é que esse relaxamento impede que a pessoa esteja ativa para quase tudo na vida. Uma boa dose de reeducação emocional faria a pessoa aprender por conta a própria a se portar diante de frustrações, medos e impasses na vida.

Sentido de comunhão

Gostam de sentir que estão num grupo em que todos se sentem conectados como numa fraternidade. Se protegem da polícia, inventam mentiras para enganarem seus pais mutuamente e se vigiam um ao outro na hora que sentem aquela paranóia ou bad trip (quando o efeito da maconha cria uma sensação de mal-estar ao invés de bem-estar).

O momento mágico em que a maconha passa de mão em mão é relatado como um momento mágico e divertido. Alguns dizem que até lembram aquelas tribos indígenas antigas. Por isso os grupos de apoio no tratamento é tão importante, pois a pessoa precisa de uma nova identidade grupal. Não adianta você substituir um hábito sem oferecer algo equivalente e mais saudável.

Busca espiritual

Muitos dizem que sua conexão com algo maior aumenta e passam a ver o mundo com mais compaixão e tolerância. Aqueles que tinham dificuldade de entrar em contato com alguma forma de religiosidade instituida acabam adotando o culto a Jah e o rastafári.

O clima da música, do sexo e do amor livre são estimulantes adicionais que alguns usuários procuram. Nem todos adotam essa cultura e filosofia. Mas de modo geral a maior parte dos usuários descreve um sentimento de união com algo cósmico.

Abertura de mente

Para algumas pessoas também surge uma tendência reflexiva, filosófica e existencialista. Acabam sentindo que suas mentes ficam mais abertas e criativas. Outros se fixam na ideia de que encontraram o sentido da vida nessa forma de vida sem ganância ou busca de dinheiro. Penso que é um paradoxo, pois acabam ficando menos focados em buscar seus objetivos de vida e conquistar novas possibilidades (por meio do dinheiro) e, no entanto continuam usufruindo dos benefícios sociais e financeiros dos pais a quem tanto condenam.

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Para concluir digo que a saída não é tão simples como se imagina. Fechar os olhos para as coisas que estão ditas acima também não ajuda. Espero com esse texto ter começado um debate sobre um assunto tão importante e falado de uma forma tão pobre ou formal na maior parte das publicações existentes. Continuo levantando o lema que a forma mais “sabiamente louca” de viver é estar conectado com a realidade tal como ela é.

Se apaixonar, sentir o calor de uma prática esportiva, saber que consegue fazer muito bem uma coisa, fazer descobertas sobre a vida, a tarefa de abraçar o mundo e beneficiar os outros dá um barato tremendo, mas não traz os efeitos colaterais daquela leseira existencial (típica do uso da maconha).

Gosto da frase do Paulo Coelho no documentário “Quebrando o Tabu” no minuto 2:02 “É, [para o jovem] realmente a droga é fantástica, você vai gostar, mas cuidado, hein? Porque você não vai poder decidir mais nada, basta [dizer para o jovem] isso!”

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Hz0EWwC-hug]

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About the author

Sonhador nato, psicólogo provocador, apaixonado convicto, escritor de "Como se libertar do ex" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão e lava pratos.

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20 Comments

  1. Adorei o texto e achei ótimo o video também!

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  5. Ana Cristina

    Parabéns, vc conseguiu em 10 itens resumir todas as questões que envolvem o uso específico da maconha, está na hora de se esclarecer que esta droga se diferencia e muito das demais. Vejo que há poucas matérias que tratam deste assunto em particular, no geral os especialista jogam tudo dentro de um saco como se ela fosse um começo e as demais drogas, o fim, dando um parecer e um caminho único para o dependente.
    Obrigada foi muito esclarecedor.

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  7. Nossa, me emocionei com esse texto. Quisera eu ter encontrado alguém que me dissesse tudo isso quando jovem. Experimentei maconha pela primeira vez aos 14 anos e nunca mais parei. Ate chegar aos 16 e conhecer a cocaína. A partir dai, já fumava maconha contra a vontade, só para acalmar a ansiedade que a coca deixava depois da euforia boa.
    Eu só sei que minha vida parou. Eu vivia unica e exclusivamente para as drogas. E dissimulando ao extremo para não magoar meus pais, ate que com 19 anos, tive a oportunidade de sair do Brasil o qual agarrei com unhas e dentes, pois enfim, não teria que dar mais satisfação para ninguém de minha vida.
    Alivio para os meus pais e azar o meu. No Japão, a coca eh caríssima e de péssima qualidade e a maconha, pagava 100 reais por 3 baseados. Ou seja, fiz um péssimo negocio. A opção era usar cristal, ou meth, como os americanos chamam. Péssimo também. O bad final eh 100x pior que o da coca e durava 2 dias seguidos. Enfim, passei 8 anos nessa vida, ate em 2009, ir numa festa open air de 2 dias, ja estava sem usar drogas a 6 meses e mergulhei de cabeça. O que eu posso dizer eh que depois de 1 semana, eu ainda me sentia deprimida e arrependida. Acabei mergulhando numa depressão profunda. Achava minha vida ate ali uma droga, não sabia o que eu estava fazendo do outro lado do mundo, sozinha e sem perspectiva de nada.
    Depois de dois meses desejando ardentemente me tornar uma arvore, decidi que ia parar de fumar (cigarro), queria me desintoxicar de qualquer maneira. E qual sábio não eh Deus, que me mandou uma gravidez 3 meses depois? Acabei me casando com meu namorado japonês (que sempre desconheceu meu lado sombrio), eliminei TODOS os contatos, “Amigos” de “balada” desde os 16 anos, numa tentativa desesperada de negar o que eu fui e o texto deixa bem claro isso: doente emocionalmente.
    Hoje, me esmaga o coração, esses 8 anos que perdi. Me achando vitima do universo, inconformada com o inexplicável. Escrevendo agora e as vezes, quando me lembro das “correrias e momentos” chego a sentir nojo. Mas não um simples nojo, mas um misto de asco, desprezo e arrependimento.
    Minha vida começou depois que meu filho nasceu, com a promessa de me manter lucida ate o fim dos meus dias. Não vou poder fingir uma vida que não tive, pois minhas costas inteira tatuada não permitiria, mas não cometer os mesmos erros dos meus pais já sera um grande passo.
    Aff… comentário super longo esse, mas eh que me doí ver passeata a favor da maconha, ou o que aconteceu na USP. Estão todos doentes e não se dão conta. Claro que existem as exceções, mas pela minha experiencia elas são raríssimas. Espero que meu depoimento reforce seu texto de que usuários de maconha precisam de tratamento. Precisam reconhecer que suas emoções nao estão em sua saúde plena.
    Desculpe por tomar tanto espaço e obrigada por esse texto tao elucidativo. Ele deveria ser divulgado em todos os meios de comunicação, escolas e hospitais.

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  8. ótimo texto que vc fez, uma coisa eu concordo… tenque discutir, nao adianta falar que faz mal e ponto,
    muitas pessoas falam, falam, e na verdade não sabem de nada ou são influenciadas pela TV, maconha não é ruim, mas tambem não é bom se for usada errada, então é hora de alguem parar e discutir isso…tenho 20 anos e ja cansei de apanhar de “policiais” por estar fumando maconha e conversando com meus amigos na praça, fazendo rima, ai vem a questão, será que é certo bater em pessoas que não estão fazendo nada de mal a ninguem? será que não é hora de fazer uma lei, pra esses pms parar de ir atras de fumante e ir atras de bandidos, criminosos? pô, a maconha ser ILICIDA só favorece os traficantes e os politicos e policias corruptos, FATO!.

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  9. ACHEI O COMENTARIO UM POUCO PRECONCEITUOSO FAZ 45 ANOS QUE FUMO MACONHA E É UN VICIO COMO O PRAZER DO FUMANTE QUE SE DELICIA COM A NICOTINA , O BEBEDOR QUE CON O TEMPO SE TORNA ALCOOLATRA E COMEÇA A TER PROBLREMAS COM A FAMILIA ,QUANDO NA JUVENTUDE TINHA ALEGRIA E SE DIVERTIA E DEPOIS SE TORNA PROBLEMA , DEVIA TER ENFATIZADO O ABUSO , A COMPULSIVIDADE E A FORMA COMO A PESSOA USA QUALQUER TIPO DE DROGA E AS SENSAÇOES VAO MUDANDO DE ACORDO COM A IDADE E TODO JOVEM QUER SER REBELDE E É UMA DAS MANIFESTAÇOES MAIS FAÇEIS DE SE MANIFESTAR PARA TER IMPORTANCIA COMO A SOCIEDADE ATUAL IMPOE , GOSTEI DO ENFOQUE CLINICO COMO O VICIO DE QUALQUER DROGA QUE O LEVE A COMPULSIVIDADE . MASSA

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    1. doguinhacrash

      Eita , tiro as palavras da minha boca , tbm sou usario de maconha deis dos 18 anos tenho 21 uso de noite para ouvir uma musica , tocar um violão , durante o dia eu ando lucido trabalho normalmente e consumindo dessa maneira acredito eu estar seguindo feliz com minha vida e não faço mal a ninguem.

      Reply
  10. Nós pais precisamos de pessoas competentes e que realmente sejam sérias para nos ajudar a entender o uso da maconha e seus efeitos e principalmente o porquê de nossos filhos a buscarem, para assim ajudá-los mais efetivamente.Precisamos discutir esses pontos com nossos filhos e para isso, saber a realidade do problema,por isso,como mãe, que quer o melhor para seu filho e para todos os jovens que estão nesse mesmo barco, pois aprendi a amar a todos eles,agradeço sua publicação.Por favor me envie orientação sempre, pois é uma situação que podemos cometer muitos erros, por não sabermos como agir.Pena que teu consultório fique em São Paulo, pois moro em Porto Alegre.
    Grande abraço

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  11. Muito produtivo seu texto. È muito importante, para nós pais e filhos receberem esse tipo de informações de fonte segura e esclarecedora.Não achei nenhuma outra fonte, tão relatadora para eu como mãe, ajudar o meu filho que utiliza a maconha.Por desconhecermos o assunto, cometemos erros com nossos filhos ,por falta de esclarecimentos.Importante para os jovens saber a realidade dos fatos, pois a verdade e o conhecimento de nossos atos, nos libertam. Espero que meu filho aceite com maturidade conversar sobre o assunto,Pena que seu consultório fique em São Paulo e moro em Porto Alegre.Peço que envie orientações sempre que puderes,pois estou passando por uma situação bem crítica.

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  12. Tudo balela , maconha aflora o seu sentimento , se estiver feliz vai ficar mais , se estiver triste vai ficar ainda mais . O problema que pessoas que fumam macumba também tem depressão independente do uso , tem
    Depressão como pessoas normais , mas a questão é que a maconha vai aflorar esse sentimento mais ainda , experimenta fumar ela em um êxtase de alegria pra ver se você vai ficar depressivo ou alegre ! Fumo há 10 anos e nunca fiquei depressivo por não ter essa doença e nem me deixar levar por nada , me influenciar por amizade ou outra coisa .. 10 ANOS NUNCA USEI DROGAS . USO MACONHA , NÃO DROGAS !

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  13. Cara achei o texto bem mais ou menos. Você só tem a experiência de quem precisa de ajuda, de quem esta desesperado. Ninguém procura um psico pq ta com a vida boa demais. Então vc n entende mts questoes. Aconselho vc q fumar maconha e tirar suas próprias conclusões, não construi toda uma idéia com base naquilo em que você é um mero expectador, seja o principal, froid cheirou para ser o próprio objeto de análise? Faça o mesmo.

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  14. Pedro Sousa

    Falou Oq todo mundo diz, sem bons argumentos. Agora pesquisa e lê os benefícios.

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  15. artigo lixo, cheio de estereótipo e mal informado, eu aceito os malefícios da maconha, eu li muito sobre isso hoje e sinceramente achei meio burro seu post, coisas como as q meus avós falariam sem saber nada.
    algumas coisas estão certas, mas mesmo assim não foram explicadas da maneira correta

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  16. Acho que de 10, 1 ou 2 estão coretos, para causar dependência o usuário deve ser um cara que fume todo dia e toda hora. A maconha não é a porta de entrada para as drogas mais “pesadas” e sim o cigarro, que contem nicotina, causando dependência e o sentimento de quero mais. Não muda comportamento, e não é coisa de bandido, pessoas normais, famosos etc fumam ou usam maconha de alguma forma, por isso os bandidos usam, mas não que quem fuma maconha é bandido, são coisas totalmente diferentes

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  17. Muito bom seu texto …gostaria de ajuda descobri que meu entiado que mora comigo esta usando…ele fiz a que não ira parar de usar …ele alega q é a única coisa q o deixa feliz…de perdeu a mãe com 8 anos de idade e eu o conheci ele já tinha 12 é Hj esta com 16 e faz quase 2 anos q esta se afundando nisso …e eu não sei o que fazer me ajude por favor

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  18. Sou doente emocional. Fumei maconha pela primeira vez aos 14 anos . Umas 10 vezes . Depois de umas crises de ansiedade e a chamada bad trip nunca mais fumei . Hoje com 27 mais de 10 anos passando longe de maconha, tive a brilhante ideia de fumar maconha no dia do meu aniversário. E eu vou dizer o porque . Eu fui noiva 5 anos , eu via meu noivo todo dia e depois de umas brigas ele disse que não queria mais pegou o dinheiro que juntou pra comprar nossa casa e comprou um carro . Faz 3 meses separados ele está irredutível não quer voltar eu também nãosou de ficar correndo atrás e como ele não me mandou nenhuma mensagem dia 19 meu aniversário eu comprei maconha aqui no meu bairro e fui fumar com uns conhecidos . Porque eu eu estava sentindo muita dor na alma eu tinha que me livrar daquilo . Eu tentei de tudo nesses 3 meses pra esquecer meu ex e nada funcionava então eu resolvi fumar maconha. Eu te digo eu tive mais crise de ansiedade do que relaxamento, minha pressão caiu , fiquei gelada igual um cadáver, meu coração batia a mil por hora , sério mesmo oque era pra relaxar , aplacar a dor da decepção virou um filme de terror . Eu quase morri. E naquele momento de terror uma voz falou na minha cabeça: Ninguém merece você se autodestruir assim . Ele não merece você fazer isso com sua saúde , com sua mente . Então eu espero nunca mais fumar maconha. Porque eu já sou ansiosa , e a maconha potencializa isso . Quando se fala de legalização deve-se entender o seguinte não é todo mundo que pode fumar maconha, cada organismo reage de um jeito . O meu corpo sempre reagiu mal com maconha. Tem gente que fuma e fica super de boa infelizmente ou felizmente esse não é o meu caso . O meu problema é de origem emocional , decepção no amor então eu acabei fazendo essa merda e espero nunca mais fumar isso na vida . Porque é como a voz disse pra mim : Ele não merece você se destruir assim por uma pessoa que não está nem ligando pra você. Bem espero ter resumido a minha péssima experiência com maconha.

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