Você nunca mais vai amar do mesmo jeito

Gostaria de dar uma má notícia: o amor morreu. Sim, ele morreu.

Respira fundo

 

Espero que daqui para a frente você nunca mais ame como sempre amou. E o pior, isso lhe fará bem.

Falei em outro artigo sobre o apego e os desastres causados por ele.

Quando dizemos que amamos uma pessoa a que estamos nos referindo de fato?

Normalmente é o que chamo de um interesse personalista-apegado-erótico-carente.

Raro quem ama de forma lúcida.

Andei meditando sobre o assunto e cheguei a um pensamento simples.

O amor não é um sentimento, mas um espaço psicológico para que os sentimentos aconteçam. Nele cabem todas as emoções.

O amor me parece muito mais um campo aberto para que outras emoções surjam. Você ama uma pessoa apesar da raiva, do medo, da culpa, da inveja e da admiração que sente por ela.

O amor me parece muito mais um anfitrião que vai permitindo que os convidados transitem por todo o espaço da casa. Ele promove a festa e na maior parte das vezes usufrui muito pouco do clima festivo. Ele se alegra em ver a movimentação das pessoas. Ele dilui tensões, afaga os mais carentes, dá liberdade para os mais expansivos e obstrui o canal para os mais destrutivos.

O amor é o anfitrião da alma.

Como todo bom anfitrião ele sabe que todos estão só de passagem. Vieram de suas vidas livres e voltarão a elas, sem apego. Ainda que prefira alguns mais do que outros mesmo assim deixa que todos os sentimentos ou pessoas passem por ele e se beneficiem. A cachoeira não cobra impostos para refrescar as pessoas que se banham nela. Sua força é tão grande e poderosa que o simples fluir de si mesma basta.

A alegria desse amor é ver todos brincando de ser feliz sem se opor ou ditar uma regra para que a felicidade aconteça.

Na hora do medo o amor é aquele pano de fundo que dá o contexto para a pessoa. Ele não se opõe ao medo, mas o abraça e apoia, pois sabe que é algo passageiro e fruto de uma defesa do ego.

Esse amor se dá muito bem com o ego assim como um adulto se relaciona com uma criança sapeca. Sabe que raiva é uma reação ilusória de força e como um toureiro habilidoso deixa que tudo passe por ele sem se deter a nada.

O ciúme para esse amor é mais um jogo de controle inócuo. A pessoa que ama (tendo em vista essa dimensão) incita liberdade, bem-estar e movimentos em busca da felicidade alheia.

É um grande exercício mental de ampliar um repertório vivencial.

Esse amor sabe que a vida é uma grande jornada onde o sentimento de MEU é uma prisão para si e para os outros.

Se você quiser saber como entrar em sintonia com essa dimensão presente em você faça um exercício simples com a pessoa amada.

Quando algo te incomodar tente tirar a sua personalidade da história e imagine o que possibilitaria o livre caminhar feliz dela. Tal como se fosse um amigo querido. Se sua resposta original for diferente dessa é sinal que ainda está apegado ao falso-amor.

Mas se sua resposta for: “sim, ela será mais feliz sem que esteja atendendo ao meu desejo ou esteja do meu lado”, liberte essa pessoa de você.

Como um bom anfitrião de sentimentos esse amor saberá que a qualquer momento uma nova festa pode ser formada. A vida sem limites e com amplos caminhos disponíveis é seu destino.

Agora se pergunte se você ama uma pessoa ou você ama uma pessoa para você!

Talvez uma boa prática seja dizer internamente ao invés de eu TE amo, dizer O QUE BRILHA EM VOCÊ EU AMO.

Antes de dizer que isso está muito longe, tente, apenas tente.

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About the author

Sonhador nato, psicólogo provocador, apaixonado convicto, escritor de "Como se libertar do ex" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão e lava pratos.

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  • Regina Mizael

    A felicidade é um estado, e o Amor um exercício ( da autora)

  • Selma

    Que texto lindo! Totalmente completo! Penso que você já atingiu um alto estágio de maturidade para conseguir definir com tanta clareza o tema tão complexo e ao mesmo tempo tão simples.
    Sorte que nas horas vagas você dança dabke e lava pratos, sinal de que você existe mesmo!!!
    Muita luz!

    • Não cheguei não Selma, estou bem longe disso, mas é que minha mente alcança o que meu coração aspira ser. Estou treinando esse amor… assim como o dabke! hahahah

  • Muito bem escrito Fred.! Verdade que esse parece ser o jeito mais livre e mais verdadeiro de se amar os outros. Com a ideia de oferecer, de pensar no outro e de pensar na felicidade deler acima dos seus desejos e necessidades não-reais, ligadas ao apego, orgulho, ego. Ninguém é responsável pela nossa felicidade. E isso é bom. Nos dá liberdade frente a tudo, não dependemos de nada nem de ninguém para sermos felizes. Não vou dizer que seja fácil, na verdade é bem difícil. Mas vale a pena tentar. Por ela, sempre vale.

    Abraço!

    • Não é fácil, mas até chega a ser simples, não se colocar entre você e a realidade…

      Abraço

  • Pingback: Por que temos dificuldade em perdoar? « Sobre a Vida()

  • Priscila Rancan

    Nossa, fiquei até sem fôlego! “ao invés de eu TE amo, dizer O QUE BRILHA EM VOCÊ EU AMO” Perfeito D+! Espero sentir isso um dia. Obrigada, Fred! 🙂

  • Tudo que sempre quis explicar,você fez melhor!
    Muito bom!

  • Muita sabedoria em poucas linhas. Na verdade, trata-se de uma síntese. Gostei demais.

    Minha percepção indica que vc tem razão sobre o que diz neste texto. Como já foi dito acima, amar é um exercício. Não é fácil, mas compensa. E muito!

    Grande abraço

  • Que forma linda e simples de resumir como o amor deve ser. Gostei quando você fala pra nos colocarmos como um amigo querido ao responder se nossas cobranças e exigências são justas. Deveríamos ser mais parceiros e menos tiranos nos nossos relacionamentos. Não é fácil pensar na felicidade do outro de forma tão altruísta, mas é assim que o amor deve ser. Parabéns por esse texto sensacional!

  • Luana Viola

    Que texto maravilhoso!!!! =]

  • Amor pelo tempo, pela arte, pela poesia. Amor pelo compromisso e pela liberdade. Amor pelo sorriso, amor pela lágrima, amor pelo verão, mas também pelo inverno, cada forma de amar em seu lugar.

    É na vida que aprendemos a cultivar estes vínculos afetivos, amorosos, se não for assim, vamos criando lacunas afetivas dentro de nosso coração na triste esperança que alguém as preencha.

    Amar é mudar de casa como sugere o poeta.

  • Amor pelo tempo, pela arte, pela poesia. Amor pelo compromisso e pela liberdade. Amor por ser eu mesma, mesmo que o ser não signifique sempre estar. Amor pelo sorriso, amor pela lágrima, amor pelo verão e pelo inverno.
    Simples assim, cada forma de amar em seu lugar.

    É na vida que aprendemos a cultivar estes vínculos afetivos, amorosos, se não for assim, vamos criando lacunas afetivas dentro de nosso coração na triste esperança que alguém as preencha.
    E como sugere o poeta, amar é mudar de casa.

  • Karina

    Wow!!! Acabo de sair de um relacionamento de 3 anos, e ao ler seu texto, refletir e ser franca comigo mesmo, percebi que preciso me exercitar mais no Amor… meu ex fez isso muito bem, tanto é que por amar, me deixou livre…enfim, excelente texto. MUITO OBRIGADA!