* Por Frederico Mattos

- Doutor Frederico, posso te chamar assim?” – começou a consulta.

- Fred, é melhor – respondi.

- Eu vim procurar terapia por um motivo estranho – respondeu a bela jovem.

A paixão deixa assim…

- Qual?

- Eu tenho medo de me apaixonar!

- Me explica melhor…

- Eu li no seu blog um negócio desses, de desilusão amorosa. Percebi que fui muito machucada por um rapaz. Ele surgiu de um jeito muito estranho, foi me conquistando aos poucos. Me falou coisas lindas, vivemos momentos incríveis, mas quis estreitar mais os laços ele simplesmente recuou. Meu mundo desabou, fiquei confusa, com medo, com raiva, triste. Ele se afastou, começou a hesitar, até que não rolou mais, eu fiquei arrasada e já faz algum tempo que não consigo me entregar para mais ninguém. Nem sequer um beijo, um olhar, parece que meu corpo congelou.

- Há quanto tempo? – indaguei.

- Quatro meses. Sou assediada, paquerada, mas realmente ouço o que os homens dizem e acho tudo bobagem ou mentira. Sei que entre eles existem os que estão mentindo e só querem transar, mas tem também pessoas sinceras. Isso vai dar material para o seu blog. Vou virar estudo de caso e nem quero os créditos. Escreve sobre isso, pode até me dar como exemplo. Tem cura?

O caso que relatei agora, a pretexto didático é uma forma de comentar algo que acontece com muita frequência. Mulheres que se sentem bloqueadas emocionalmente por terem experimentado uma desilusão amorosa.

Eu não gostaria de entrar no mérito se os motivos são justos ou não. Também não quero falar sobre perdão, mas sobre a natureza da entrega.

Entregar seus sentimentos numa relação é sempre algo arriscado. Na verdade é arriscado se você coloca algo em risco. Se você coloca sua identidade, personalidade e vida em jogo amar é algo perigoso.

Normalmente quando amamos queremos certezas, garantias, promessas cumpridas e, no entanto, nada disso é possível de fato. A vida não oferece garantias. Aliás a vida é bem anti-garantias, muda o tempo todo, gostemos ou não.

O amor é algo que para acontecer precisa ter esse nível de desprendimento. A qualquer momento, como um missionário ele pode simplesmente mudar. Isso não quer dizer acabar, trair ou coisa do gênero, mas somente mudar.

Tentar aprisionar o sentimento de amor numa jaula de regras, conceitos e fantasias pode desembocar numa rua sem saída. Se o amor é mutante aceitar e se permitir mudar ainda pode garantir algum tipo de “sucesso”.

Essa abertura para o amor que muda é delicada e sutil. A pessoa que perdeu a capacidade de se apaixonar está simplesmente se recusando a experimentar aquela mesma sensação de calafrio, perna bamba e mãos suadas.

Recuar diante da delícia inevitável de se sentir como uma criança perdida dos pais é o mesmo que parar de respirar. Você não vai conseguir.

O ideal mesmo é simplesmente seguir até onde for possível, e entender que o rumo de um relacionamento, assim como tudo na vida, na pior das hipóteses pode fazer você amadurecer.

Na melhor das hipóteses pode fazer você sentir um pouco do que se chama felicidade.

 

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Captura de Tela 2013-09-13 às 17.34.09* Frederico Mattos: Sonhador nato, psicólogo provocador, autor do livro “Mães que amam demais”. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas cultiva um bonsai, lava pratos, oferece treinamentos de maturidade emocional no Treino Sobre a Vida e se aconchega nos braços do seu amor, Juliana. No twitter é @fredmattos.
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