Acenda uma vela, você está morto!

Sim, exatamente nesse minuto você está morto, acenda uma vela em sua própria homenagem.

Temos dificuldade de pensar na ideia da morte como algo real. Negamos nosso fim a todo o momento. Nem entrarei em questões espirituais, no sentido tradicional, pois entendo o espiritual como algo bem próprio da vida cotidiana. Aquela possibilidade de se conectar intimamente com seu semelhante e percebê-lo um outro em você mesmo.

Domingo fiz uma experiência interessante, anunciei que escreveria o último post do sobreavida.com

Surgiram manifestações muito carinhosas quanto ao blog, os textos, as ideias e a mim. Fiquei muito grato. Em menos de 1 hora o número de visualizações dobrou. Pensei: curioso, a ideia de fim fez com que as pessoas se envolvessem com o blog de uma forma diferente. A perspectiva do fim mobilizou o apego e o desejo de usufruir intensamente.

Cada um lidou com essa informação de um jeito, mas todos sem exceção imaginaram o fim. O mais curioso é que cada pessoa começou a habitar um cenário imaginário em sua mente como se fosse real.

Outra coisa curiosa sobre o fim. Esquecemos que estamos morrendo a todo momento. Tudo está morrendo e se modificando.

A cada minuto as células do seu corpo estão morrendo e outras nascendo no lugar.

Nada é permanente. Tudo muda.

Estranhamente desenvolvemos técnicas para impedir que isso não aconteça, instituimos cargos no trabalho e estado civil na vida amorosa. Esses são mecanismos de regulamentação psicológica para nos dar a impressão de que nada mudará.

Mas inevitavelmente irá mudar e você terá que se despedir de cada imagem que criou. A própria ideia que faz de si mesmo está mudando constantemente. Aquilo que você chama de personalidade ou eu em breve morrerá e outra tomará o seu lugar.

Estamos sempre em transição, incluindo os sentimentos, pensamentos e ações. Não podemos garantir nada a curto, médio e longo prazo. Posso dizer que amarei uma pessoa por longo tempo, mas não posso garantir que isso será sentido para a vida inteira. O que posso dizer é que tentarei firmar os votos de que o amor se renove a cada dia com a força de ambos.

Enquanto treino reflexivo prepare-se exatamente nesse momento para partir, o que levaria na sua bagagem emocional?

Qual a lembrança mais significativa?

Qual o sonho realizado?

O aprendizado mais difícil?

O que os amigos diriam?

O que os inimigos contariam?

Qual a coisa mais vergonhosa que já fez?

Qual a coisa que mais teve orgulho em fazer?

Qual legado deixará para as pessoas?

Acenda uma vela, você está morto e outro eu dará lugar a esse.

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About the author

Sonhador nato, psicólogo provocador, apaixonado convicto, escritor de "Como se libertar do ex" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão e lava pratos.

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  • Karina Pessoa

    É curioso o quanto não percebemos que todos os dias ao levantarmos nos aproximamos cada vez mais do fim, não representado apenas pela figura da morte, e sim pelas mudanças, pelo término de ciclos. E tudo isso só parece nos afetar quando é, de certa forma, “anunciado”. O medo da perda é o que nos move. Finais são bons e necessários, mas os recomeços são melhores ainda!

    Excelente post (como tantos outros seus).
    =D