Muitas pessoas me perguntam o que é neurose e essa é um resposta difícil, pois existem muitos entendimentos sobre essa palavra.

Originalmente ela surgiu no meio médico para falar de problema nos nervos, por volta do século XVIII.

Isso não é neurose

Depois ela foi adotada por Sigmund Freud para caracterizar uma série de perturbações emocionais que afetavam o comportamento e a vida social de uma pessoa sem, no entanto, prejudicar a capacidade de avaliação da realidade como no caso das psicoses.

Tecnicamente é um termo em desuso já que a Associação Americana de Psiquiatria preferiu categorizar melhor os sintomas e quadros de transtornos mentais de modo que não só a Psicanálise (que é uma das correntes da Psicologia) restringisse uma terminologia. Portanto, os quadros conhecidos como depressão, transtornos ansiosos, TOC são o que antigamente se tratava como neurose.

Existe ainda a concepção popular que é pejorativa para tratar pessoas desequilibradas e comportamento bizarro, exagerado e dramático.

O meu entendimento de neurose e de que todos nós somos parcial ou completamente neuróticos é que ela é um tipo de padrão de comportamento que ainda tem traços de narcisismo que eram normais e próprios do desenvolvimento de uma criança, mas que numa pessoa adulta se tornam desadaptados.

O neurótico está fixado em certo tipo de vício emocional em torno de um tema específico como culpa, prepotência, controle, possessividade, certeza, carência e inveja. Por conta dessas limitações emocionais esse tipo de pessoa causa problemas na vida cotidiana que não chegam a ser alarmantes mas que são problemáticos e impedem a própria pessoa e aqueles a sua volta de gozarem de um estado de bem-estar e fluidez. É como se nunca pudessem gozar de felicidade por estarem presas em emoções que aparecem de modo repetitivo em determinados tipos de situação.

São pessoas com dificuldade em ter fazer certas operações básicas da vida como assumir responsabilidade, ser grata, ajudar os outros sem uma necessidade grande de que os outros a reconheçam, recompensem, protejam e sem conseguir deixar de sentir culpa, raiva e pesar de forma desproporcional ao que pedem certas situações

 

Situação 1

 

A pessoa vai sair em grupo, mas está incomodada com algo que ela própria não entende e não quer comunicar e acaba fazendo todos se sentirem mal por ela estar mal.

 

Situação 2

 

A família vai viajar e a mãe faz os filhos se sentirem culpados por não agirem como ela fantasiou em sua cabeça porque ninguém reconheceu a sua importância pessoal de anos de amor e blábláblá.

 

Situação 3

 

Uma pessoa hipersensível que está num relacionamento e fica impondo regras (secretas para o parceiro) que se não forem seguidas causam desconforto, brigas e mágoa.

 

Situação 4

 

Num passeio a pessoa não consegue relaxar o suficiente e curtir o momento e ao invés disso fica tentando controlar cada acontecimento como se pretensamente estivesse zelando pelo bom andamento do divertimento.

 

Situação 5

 

Na hora do sexo a pessoa não consegue se entregar o suficiente para gozar de um prazer espontâneo que surja da própria experiência. Ao contrário, é escrava de artifícios mentais ou brinquedinhos, fantasias, realidade paralelas para evocar ou sustentar o desejo.

 

Situação 6

 

A pessoa fica ruminando o término de um relacionamento e repassando os acontecimentos como uma máquina em sua mente tentando consertar hipoteticamente a realidade passada e/ou acusando a outra pessoa interminavelmente.

 

Situação 7

 

A pessoa não consegue transitar entre papéis diferentes (profissional, pessoal, amoroso, familiar) em sua vida de forma fluida ou só consegue seguir determinado script em ser o “bonzinho”, o “certinho”, o “maluquinho”, o “geniozinho” em todas as ocasiões.

 

Situação 8

 

A pessoa não age por medo de sofrer e porque não age sofre do mesmo jeito.

 

Situação 9

 

Diante de uma situação nova ou fora da previsibilidade a pessoa recua e se entrega a medos e paralisias que a impedem de conhecer novas realidades e

 

 

Em resumo é uma torma esteriotipada de atuar na vida em que as reais reações emocionais são substituídas por idealizações de um tipo de mundo que só existe em sua fantasia. É uma forma de desconexão do momento presente em favor do futuro ou passado catastrófico ou de um presente perfeito imaginário.

O que a maior parte das pessoas chama de “meu jeito de ser” é na realidade uma fixação emocional que a impede de desabrochar na vida de forma plena. O que ela chama de “sua essência” é na maior parte das vezes uma prisão emocional da qual ela não quer se desligar porque teme ser chamada à realidade adulta cheia de mudanças imprevisíveis e fora do controle. Aliás o desconhecido é o inimigo número 1 do neurótico.

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