Mulheres desesperadas para casar

* Por Frederico Mattos

Em função do texto que eu falava sobre o meu casamento [veja aqui] recebi pelo menos 5 mensagens inbox dizendo algo que se resumido seria assim: “parabéns, Fred, que bom que encontrou alguém para ter ao seu lado! Não vejo a hora de encontrar um cara legal e me casar.”

Achei curioso esse tipo de comentário que se repetiu nos textos: não vejo a hora de casar.

É esse tipo de mulher que cai para pegar o buquê

É esse tipo de mulher que cai para pegar o buquê

Esse não é um desejo incomum, igual ao “não vejo a hora de ser mãe”. Parece uma profissão, esposa e mãe.

A pessoa almeja muito uma coisa que não sabe o que é. É como se dissesse, não vejo a hora de comer uma comida que nunca comi, deve ser uma delícia.

Existe uma construção um pouco perversa em que a mulher é colocada em que busca alguém para completar sua fantasia de ser esposa normalmente está mais focada no papel do que na experiência, quase um jogo social “eu sou boazinha e você casa comigo”. Ela quer casar e ponto, ainda que não saiba o que isso implica, com quem é ou se está habilitada para tal.

Sempre tive medo de pessoas que afirmam “sempre quis casar”. Por que alguém quereria um papel social que depende de outra para completar a fantasia?

Parece que busca preencher um buraco, uma falta, uma atribuição específica em sua mente que é meio indiferenciada, quase nebulosa. Muitas mulheres repetem esse mantra como se fosse a coisa mais normal do mundo. Se alguém minimamente razoável cair nas suas graças e corresponder um pouco ao seu ideal está feito, o casamento sai.

Muitas ainda alegam “não tem como escolher muito o mercado está escasso”. Será que ela falaria sobre o trabalho “o emprego não é lá muita coisa, sou até infeliz ali, mas não tem muita opção”? Sinto informar, mas sobrevivência e casamento são coisas diferentes. Até o emprego abusivo não deveria ser uma obrigação. Casamento também não é.

Se você está querendo casar desesperadamente eu sinto informar, você está tratando seu atual ou futuro pretendente como um objeto de sua fantasia pessoal. Ele é um candidato a marido, mas não é o Renato-advogado-boa pessoa-que-surfa-gosta-de-cachorros-organiza-o-quarto-tem-chulé.

Muitas podem até alegar o contrário, que pensam seriamente sobre o candidato, mas honestamente duvido, pois sem perceber já estão meticulosamente instruindo a pessoa amada a como se comportar como um bom marido no futuro.

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* Frederico Mattos: Sonhador nato, psicólogo provocador, autor dos livros Relacionamento para leigos (série For Dummies)[clique], Como se libertar do ex [clique aqui] e Mães que amam (demais livros e cursos [aqui]). Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas cultiva um bonsai, lava pratos e se aconchega nos braços do seu amor, Juliana.

Treinamentos online de “Como “salvar” seu relacionamento” e “Psicologia para não Psicólogos”

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Frederico A. S. O. Mattos CRP 06/77094

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  • natihoots

    Vale estudar a divisão sexual do trabalho e fazer desta discussão com alguma crítica à socialização machista das mulheres. Se elas são criadas para “casar e ter filhos”, são as principais desprivilegiadas quando este projeto dá errado.

    Vc descobriu o que toda feminista séria fala há anos: “o machismo é ruim para mulheres e homens”

    Se vc quiser manter um diálogo respeitoso com as mulheres sugiro rever o último parágrafo:
    “Ah, esse é o tipo de mulher que depois que casa embaranga, pega no pé, fica chata, nega sexo e cria caso por qualquer coisa. Afinal já conseguiu o que queria: casar…”

    Há quantos passos de “justificar estupro” está uma pessoa que critica uma mulher que “nega sexo”? Se uma mulher não quer transar com vc, ela não quer transar com vc. PONTO.

    • Mariana Gomes

      Maravilhosa.

    • Marina ReGenn

      Expressou exatamente o que pensei ao ler o texto..