Amor cotidiano

* Por Frederico Mattos

Queria pedir licença aos meus leitores para fazer uma declaração pública de amor cotidiano. Hoje, Juliana Cordeiro, a pessoa que escolhi para compartilhar a vida comigo faz aniversário.

Preciso confessar que hoje em dia ela já não me tira o fôlego como nos primeiros dias que a reencontrei, hoje a Juliana me dá fôlego, ela é o meu escafandro nos dias que minha mente cheia de ar rarefeito precisa de leveza. Ela é o vento de praia que trás um pouco de calor e refrescância nos dias que alguma incerteza ou insegurança me abatem.

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Eu sempre me perguntei um pouco cético se poderia haver algum tipo de relacionamento onde tudo pudesse se fluir mantendo preservada a individualidade dos participantes sem desfigurá-los nas mágoas de quem abriu mão de si pelo outro. Consegui encontrar uma companheira para essa jornada, ela tem uma disposição absurda para se abrir mais e mais. Admiro a coragem diária dela em se tornar uma pessoa mais aberta, lúcida, sábia e destemida.

Sua generosidade cotidiana me admira (e excita), a forma como ela é capaz de cuidar sem perceber que cuida é incrível. Ainda que saiba que eu tenho dotes culinários melhores ela se dispõe a me presentear com uma petisco agradável, mesmo não tendo muitos gostos que se alinhem aos meus ela se debruça para conhecer o meu universo, e cuida do nosso gato Boris com uma delicadeza sublime. Ela é de uma fofura extrema, daquela que acorda um pouco zonza e que brinca com a própria atrapalhação matinal. Ela é um grande colo que me aninha, um ombro que me apoia, uma boca que me inspira, um seio que ativa, uma força cortante que me anima e me restringe (quando beiro a despencar de mim mesmo).

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Para ser honesto, no meio de tantos predicados, sua beleza parece um pequeno ponto que só enquadra uma personalidade encantadora, meiga e vívida. Eu espero que ela se disponha a descobrir outros tantos dias ao meu lado, como um pássaro que pousa num galho, com caminho aberto para voar, mas disposto a ficar enquanto for bom e fizer sentido. O amor já não define o que sinto, porque seria ainda definir em palavras ou numa metáfora compreensível pelas letras aquilo que já entrou no campo do indefinível.

Um poema de Pablo Neruda que traduz o que sinto:
Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio
Ou flechas de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se dependiam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado, decaído,
Tudo era inalianavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

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Captura de Tela 2014-08-26 às 10.05.17* Frederico Mattos: Sonhador nato, psicólogo provocador, autor dos livros “Relacionamento para leigos (série For Dummies)[clique]“,  “Como se libertar do ex” [clique aqui para comprar] e “Mães que amam demais”. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas cultiva um bonsai, lava pratos, oferece treinamentos de maturidade emocional no Treino Sobre a Vida e se aconchega nos braços do seu amor, Juliana. No twitter é @fredmattos e no instagram http://instagram.com/fredmattos – Frederico A. S. O. Mattos CRP 06/77094

About the author

Sonhador nato, psicólogo provocador, apaixonado convicto, escritor de "Como se libertar do ex" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão e lava pratos.

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