Resgate a criança que há em você na vida amorosa

Lembra daquele professor ou professora por quem você já foi apaixonado? Ninguém escapou de se encantar logo cedo por uma pessoa adulta que parecia o ápice da doçura, leveza e esperteza. Depois esse amor frustrado foi inevitavelmente passando para um outro coleguinha e nessa trilha fomos lidando com as aventuras e desventuras da vida amorosa.

Quando nos apaixonamos por uma pessoa, quase todas as vezes essa dimensão de magia das primeiras paixões ingênuas vêm à tona. De um momento para o outro somos tomados dessa perspectiva pura, que baixa a guarda e começa a pintar e colorir um caderno inteiro de sonhos. Os dias passam devagar longe da pessoa e voam ao encontrá-la.

Quando atendo casais em terapia no meio de uma crise sempre fico me perguntando onde aquelas crianças estão. A resposta não é simples quando olhamos dois adultos se acusando, trocando ressentimentos e cobranças. Por trás de toda aquela raiva há muito medo de perder o sonho encantado dos primeiros dias.

Seria ingênuo da minha parte dizer que adultos deveriam se amar como uma criança ama. Existe muita complexidade em torno da vida adulta, mas na base, no chão que nos toca, queremos o mesmo: troca, olho no olho e verdade de sentimentos.

Algumas pessoas foram educadas com menos ênfase a olhar em volta, por isso se doam pouco e não sabem trocar, só receber. Ou quando dão já estão pedindo algo com a outra mão. Também perdemos a capacidade de olhar de verdade, se render, tirar as máscaras, deixar de fingir que somos indestrutíveis, somos as mesmas crianças frágeis. Sustentar a verdade dos sentimentos? Parece impossível, mas com uma pitada de esforço e criatividade conseguimos transformar aquele livro comum numa história sem fim.

Se os casais pudessem ir além daquele hábito universal de pedir cafuné usando voz de criança, mas colocassem o coração na mesa como elas fazem tudo seria diferente. As crises não seriam arrastadas numa guerra sem fim.