Amor não tem garantia: é preciso tolerar dúvidas no relacionamento

Vivemos em tempos de busca desenfreada por certezas — cada pessoa se sente juíza e executora de penas morais na vida cotidiana. Esse excesso de garantias que buscamos para nos assegurar emocionalmente costuma não combinar muito com a vida amorosa. Nem tudo tem uma resposta.

Pense nos tipos de diálogos que se estabelecem entre casais em crise, no tipo de cobranças que fazem, na postura inquisitiva que sustentam. Como algum tipo de leveza e mobilidade pessoal pode sobreviver num relacionamento asfixiado pela necessidade de verdades absolutas.

O amor acontece nos caminhos incertos das emoções, no acolhimento de nossos lados sombrios, na possibilidade recostar a cabeça num colo aberto para as contradições e até na impossibilidade de responder a perguntas difíceis. “Você vai me amar para sempre?” “Você gosta da minha família?” “Não vê a hora de passar mais 40 anos ao meu lado?” “Você promete que nunca vai sentir nada por mais ninguém?”

Ainda que você queira, sob o ímpeto do amor, responder sim, a verdade é que precisamos suportar certas dúvidas para não sufocar a liberdade. O amor também se alimenta de espaço de mudanças e revoluções. A submissão, ainda que bem intencionada, pode sacrificar o amor.

Então, diante de certos impasses, dúvidas, dilemas e pontos de interrogação fundamentais sobre o seu relacionamento, tolere um pouco mais de telas em branco, incompletas, para que você e a pessoa amada respirem possibilidades nunca consideradas debaixo da rigidez.