Na casa do papai depois dos 30

Quando o assunto é morar na casa dos pais depois dos 28 anos (só para não dizer 25) me lembro de 3 histórias.

1- Eu: Como é a relação com seus pais?

Mulher solteira com 31 anos: Boa, maravilhosa, eles são ótimos.

Eu: E isso é bom?

 

2- Homem: minha ex-psicóloga me disse que o fato de eu não ter nenhum relacionamento amoroso tinha ligação com os meus pais, não gostei do que ouvi e vim pedir uma segunda opinião.

Eu: mora com eles aos 33 anos?

Ele: sim.

Eu: Talvez você tenha que buscar uma terceira opinião.

 

3- Eu tinha uns 16 anos e ouvi com vergonha alheia um vizinho de rua de seus 35 anos que urrava com os pais “eu não aguento mais morar nessa casa, nem pra trazer meu jantar no quarto essa mulher presta! (provavelmente apontava para a mãe)”

 

O que essas três situações tem em comum?

Pessoas adultas que tem uma relação infantilizada, com dependência emocional, financeira e existencial dos pais. E com um agravante, nem se davam conta que suas vidas estavam empacadas por conta disso.

É assim que o mundo dos adultos vê você quando diz que está com a razão

Explico. Relacionamento com os pais é quase um funcionalismo público (aquela visão estereotipada), pode deixar a pessoa emocionalmente acomodada por ser um tipo de atividade vitalícia e sem avaliação de desempenho, quase incondicional em que tudo vale.

Pense na relação de um pai/mãe com um filho adulto certamente não é uma relação de adulto-adulto, algo que simula isso, mas vem da ordem de adulto-criança. Mesmo que os dois lados relutem e se debatam nessa ideia o ponto é que por mais adultos que sejam para os pais sempre serão crianças frágeis.

http://youtu.be/sPz7gIYYAcM

Esse tipo de estrutura relacional pode criar debilidades sutis na maneira de atuar no mundo de uma forma geral. É como se fosse um vício psicológico subliminar de esperar que as pessoas ofereçam algo de especial e privilegiado a elas. Quase uma condição passiva e que carrega uma sensação imperceptível de retaguarda social. Mesmo os que dizem pagar suas contas e ajudar nas despesas de casa no fundo eles sabem que se suas aventuras financeiras derem errado haverá alguém por perto para amparar.

A pessoa que está por conta tem menos propensão de sentir esse muro de arrimo atrás de si. Se realmente não depende dos pais ela sente que se não correr atrás de seus sonhos e colocar a mão na massa ninguém vai fazer cara de dodói, passar a mão na cabeça e perdoar os errinhos do bebê.

Um relacionamento amoroso é de outra ordem, parece mais com um empreendimento onde não há garantias, é preciso dedicação contínua, análise de resultado, troca de experiência e quase não temos descanso, afinal não há certezas numa variação de mercado constante.

Imagine uma pessoa com mentalidade de funcionalismo público tentando agilizar o próprio negócio. Fracasso certo. Motivo pelo qual muitos que precisam pedir autorização para trazer o namorado/noivo para “dormir” em casa acabam naufragando em suas relações amorosas.

A ideia de ter que prestar contas sobre horário, rotina e sumiços, ainda que não declaradamente, cria uma sensação de supervisão constante. Como se houvesse um “anjinho” da guarda olhando por nós. Isso por si só já responde por um comportamento de eterna espera por milagres que não surgem na vida de quem sempre aguarda um futuro melhor sem construir um presente vívido e concreto.

A pessoa acostumada com os mimos da relação com os pais dificilmente consegue se adaptar numa relação amorosa se espera as mesmas coisas e oferece o mesmo desempenho que tem com os genitores.

Muitos alegarão limitação financeira, afinal, fantasiam o sonho da casa própria. Honestamente? Quem quer aprender a se virar mora de aluguel, república, cabana no meio do mato, sei lá, mas não fica esperando as condições ideais para dar o passo decisivo.

Por mais amorosos e cúmplices que os pais sejam não apaga o fato que não é de amor que estou falando, mas autonomia, fibra, responsabilidade pelas ações que toma e suas consequências.

Exagerado? Talvez, mas num país como o Brasil que tem uma geração de grandes adolescentes  de quase 40 anos mamando no bolso (e no colinho) dos pais não é de se espantar que tenhamos políticos que tratam o dinheiro público como uma grande teta emocional (e financeira).

_______

Que entender mais sobre esse tipo de relação de dependência? [clique aqui]

 

 

 

 

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About the author

Sonhador nato, psicólogo provocador, apaixonado convicto, escritor de "Como se libertar do ex" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão e lava pratos.

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  • amanda

    Nao gostei do texto. Generaliza demais. Alias, em todos os seus textos ha um abuso da generalização.

    • blogsobreavida

      Fico feliz que eu tenha uma leitora que leu TODOS os meus textos para dizer que abuso de generalizações em TODOS ELES. rsrs

      Na real a generalização é uma estratégia de argumentação que obviamente não contempla TODAS as realidades. Essas particularidades eu deixo para o cara a cara. Afinal não posso falar de 7 bilhões de realidades distintas, só faço aproximações

  • Andre

    Esse texto têm grandes verdades, mas não contempla todas as situações. Você fala do pessoal como se fosse grandes aproveitadores, mas não é assim e toda situação, eu tenho 24 anos e moro na casa da minha mãe, mas quem paga a maioria das contas de casa sou eu. Se hoje eu saísse da casa da minha mãe e fosse morar sozinho de aluguel, não teria como ajudá-la. E aí bacana? Eu ia deixar a minha mãe numa situação ruim? Eu sei que têm gente por aí que abusa, mas as coisas não são bem assim.

    • blogsobreavida

      Felicidade para ambos, desejo boa sorte nessa história particular.

      Claro que meu texto não trata as pessoas como abusadoras, mas do significado sutil de ficar passivo à certas situações específicas.

  • Yara

    concordo com vc em gênero, número e grau. E o pior é que isto pode se estender e as falas vão se alterando tb. Bem perto de mim, tenho 3 casos: homens com mais de 50 anos que vivem com a mãe. A desculpa é que ela, agora velhas, dependem do cuidar deles…

  • Carol

    Oi Fred 🙂 É… como dá pra ver, vc mexeu numa questão delicada! Rs… Eu penso que algumas pessoas se sentiram injustiçadas porque estar na casa dos pais envolve situações muito distintas, com causas bem diferentes. Várias dessas situações encerram fatores de sofrimento também, e por isso nivelá-las ao comodismo e imaturidade desperta reações de injustiça mesmo. Imagine a seguinte situação: vc descobre q seu filho pequeno tem uma doença cerebral grave e vc, separada, precisa do dinheiro do aluguel do seu apto pra custear o tratamento dele. Já vi isso acontecer, bem perto de mim. Acho que nesse caso não é tão simples afirmar que voltar pra casa da mãe é infantilidade.
    Eu saí de casa pra iniciar uma carreira pra qual me preparei muito e que, por fatores externos, não deu certo. Fiquei muito frustrada mas achei melhor tratar logo de ir fazer outra coisa ao invés de insistir em algo que era o que eu esperava e estava me fazendo infeliz. Por isso acabei voltando temporariamente pra casa dos meus pais. Mas agora que estou iniciando uma nova profissão, não tenho como me sustentar sozinha, mesmo com 29 anos. Não estou falando em não ter como comprar roupinhas bonitinhas todo mês… Estou dizendo é que não tenho como comer, morar e pagar luz e água, mesmo. Obviamente, não tenho carro, nem vou ter. Eu me desloco a pé. Nessas condições, acho mais razoável adiar um pouco essa saída, mesmo tendo que lidar com as dificuldades de relacionamento com os pais (e não é fácil), trabalhar e estudar bastante pra progredir rápido na carreira, economizar um pouco desse dinheiro e aplicar um pouco no meu crescimento pessoal, como terapia e cursos específicos pra superar as minhas deficiências. Acho mais inteligente e menos orgulhoso…
    Não sei se minha visão esconde alguma fuga, mas é mais ou menos isso que penso por enquanto 🙂 Bjão!

    • blogsobreavida

      Sabe o que deixaria evidente se é fuga ou não? A morte dos pais. Ela confronta qualquer pessoa com a situação de inacessibilidade que não em escolha.
      Cada um vai arranjar o seu jeito de se virar ou encaixar, portanto, se havia alternativa era uma escolha e se não foi tomada é porque algum tipo de conforto e privilégio se buscava, mesmo em situações vistas como limite. Veja o filme “A procura da felicidade” e verá que todos sobrevivemos em condições das mais adversas. Situações específicas existem aos montes, não foi delas que tratei no texto.

  • Tamura

    Oi Fred,
    Gostei muito do texto. Tenho vários conhecidos assim. Moro “sozinho” desde os 23 anos, mas em vários momentos sinto que minha mãe reforça essa posição, especialmente com minha noiva, que mora comigo hoje.
    Ela defende uma posição que ao meu ver não existe mais, e isso incomoda minha mulher. E com meu irmão que também mora sozinho com a mulher é igual. Vou encaminhar essa leitura pra ela.
    Valeu.

  • Bebel

    Realmente essa é uma questão muito delicada.

    Bom, de um tempo pra cá venho analisando esses ‘sonhos’ que a maioria das pessoas tem, em especial dos jovens…um emprego estável, casa própria, carro e etc.
    Acho super certo, inclusive me incluo nessa, porém, não é assim como o Fred disse:

    “Muitos alegarão limitação financeira, afinal, fantasiam o sonho da casa própria. Honestamente? Quem quer aprender a se virar mora de aluguel, república, cabana no meio do mato, sei lá, mas não fica esperando as condições ideais para dar o passo decisivo.”

    Peraí, quem impõe, SIM, IMPÕE, essas questões é a mídia! Ninguém é obrigado a morar sozinho, a sair da casa dos pais aos 25, 30, 40…acredito eu que é necessário sim haver esse ‘corte de laços’ quando ha maturidade suficiente para encarar esse desafio.
    E maturidade nesse caso, é a financeira mesmo.
    Olhando pela lógica da coisa, é necessário respeitar as ETAPAS da vida, não é necessário ninguém ir morar na cabana, no mato, debaixo da ponte, só porque TEM QUE MORAR SOZINHO DEPOIS DE CERTA IDADE!
    Isso sim, é BALELA!
    Eu tenho 24 anos, sou graduada, trabalho na minha área, tenho um emprego estável, meu carro, comprei meu apartamento e não fui morar sozinha! Não porque eu não quis…mas por condição financeira mesmo! Eu não quero sair da casa dos meus pais para ‘economizar o almoço e conseguir jantar’. E isso é lógica…se hoje eu posso continuar na casa dos meus pais, até eu me estruturar financeiramente, para um dia poder SAIR DE CASA numa condição estável, eu vou ficar sim!
    E isso não é pecado nenhum, isso não me faz pior ou melhor que alguém que saiu de casa aos 20 anos, e nem é parâmetro para dizer se eu tenho maturidade ou não.
    Agora claro, a minha convivência com os meus pais é tranquila, coisa que nem todas as pessoas tem, então as vezes isso pesa, e é necessário buscar a tal ‘independência’ mais cedo. Porém, isso não é e nem deve ser um comportamento PADRÃO.
    Maturidade não se conquista morando sozinho, eu convivo com várias pessoas que moram sozinhas e nem por isso são pessoas ‘emocionalmente’ maduras, que tem atitudes infantis, e ainda assim, isso não é parâmetro para eu ou qualquer pessoa julgar!

    Hoje morar só virou MODA, é bonito e admirável…assim como anos atrás ir fazer um intercâmbio ‘qualquer’em qualquer país era MODA! rs

    Vamos abrir a mente, usar mais a LÓGICA e não ficar alienados nessas ideias que a MÍDIA infiltra nas nossas cabecinhas com comportamentos padrões, até porque, ninguém é padrão pra ninguém, se cada tem o seu cérebro, as suas ideias, não necessita seguir A ou B, só segue se quiser, se achar conveniente.

    • blogsobreavida

      De forma nenhuma eu coloquei uma equação que diz que morar com os pais = imaturidade e morar sozinho = maturidade.

      O que eu deixei claro é que os músculos emocionais que se desenvolve morando sozinho é uma etapa importantíssima na conquista do amadurecimento.

      Quanto ao fato da mídia impor ou deixar de impor isso voga até a página dois.

      Me chamou atenção quando você colocou:
      “u tenho 24 anos, sou graduada, trabalho na minha área, tenho um emprego estável, meu carro, comprei meu apartamento e não fui morar sozinha! Não porque eu não quis…mas por condição financeira mesmo! Eu não quero sair da casa dos meus pais para ‘economizar o almoço e conseguir jantar’. E isso é lógica…se hoje eu posso continuar na casa dos meus pais, até eu me estruturar financeiramente, para um dia poder SAIR DE CASA numa condição estável, eu vou ficar sim! E isso não é pecado nenhum, isso não me faz pior ou melhor que alguém que saiu de casa aos 20 anos, e nem é parâmetro para dizer se eu tenho maturidade ou não.”

      Os pontos que destaquei nascem de uma voz interna que busca o conforto e a condição ideal. É simples, pois para quem já está caminhando com as próprias pernas essa pergunta não faz sentido. É como esperar para ter um filho até que o mundo seja um lugar melhor.

      Se alguém que saiu de casa com 20 anos e se sustenta em vários sentidos algum diferencial essa pessoa tem, pense com calma quantas pessoas com total independência sairam de casa e você conhece? Não é pra qualquer um.

      Respeito suas escolhas, mas continuo insistindo que a ideia de sair de casa só quando tiver padrões compatíveis com a situação de origem é reflexo de idealização. Veja outros depoimentos de quem se viu paralisado emocionalmente por estar no berço emocional de pais afáveis.

      • andre goncalves

        Doutor Fred, conforto é uma coisa, ACOMODAÇÃO é outra; quem não gosta de conforto ?? Mais uma vez, seu texto me pareceu liberalóide, neurolinguistico e “self-made man”; “privilégio”, “maturidade”, “autonomia” e “diferencial” são, cada vez mais, lugares-comuns usados pelos “ideólogos do sucesso”. Mais sensatez e menos moralismo, doutor…

    • Linda

      “Eu não quero sair da casa dos meus pais para ‘economizar o almoço e conseguir jantar’. E isso é lógica…se hoje eu posso continuar na casa dos meus pais, até eu me estruturar financeiramente, para um dia poder SAIR DE CASA numa condição estável, eu vou ficar sim!”

      A afirmação acima só reforça toda a argumentação do Fred. Se isso não é comodismo, não sei o que é. Eu teria vergonha.

  • Leonardo

    Fred, concordo e muito com o texto. Ainda moro na casa dos pais com 23 anos. A relação com os pais/irmãos às vezes incomoda muito e por vários motivos quero sair e aprender a me virar.

    “Muitos alegarão limitação financeira, afinal, fantasiam o sonho da casa própria. Honestamente? Quem quer aprender a se virar mora de aluguel, república, cabana no meio do mato, sei lá, mas não fica esperando as condições ideais para dar o passo decisivo.”

    Vi uma vez um cara que saiu da casa da mãe cedo e teve que voltar. Mesmo ganhando mais do que meus pais, tenho medo de sair pra morar de aluguel e não dar conta, ter que baixar a cabeça e dizer “mamãe quero voltar”. Não quero sair pra voltar, quero sair em definitivo, voltar só pra visitar, por isso esperar as condições financeiras ideais. Não sei se é uma decisão inteligente ou se saindo soaria como um “menino rebelde” que quer sair da casa do papai, quero sair que nem homem, não com birra. Além de sair, pretendo comprar uma habitação melhor pra eles, não estou tão longe disto.

    • blogsobreavida

      Se você quiser sair que nem homem, pode na realidade nunca sair.

      Ao esperar fazer todas as pazes com sua história e com seus pais isso pode demorar uma vida inteira e o distanciamento ao contrário de prejudicar pode ser um incentivador da melhora da relação.

      • Leonardo

        Fred, o que eu quis dizer foi que a minha ideia é sair uma única vez, pensar muito bem quando e para onde vai. Conheço amigo com filho e morando na casa da sogra por problemas financeiros, imagino um convívio pior, mas se ele saísse de lá para viver como Will Smith no filme ‘À Procura Da Felicidade’ seria pior. Pelo menos acho que é uma decisão inteligente “aguentar” e aguardar um pouco para não sair sem norte, para voltar depois, sair em DEFINITIVO. Claro que para esperar até lá, deve-se estabelecer metas do que fazer para conseguir tal objetivo, tipo do quanto economizar para a nova casa, já pesquisar os custos, os gastos, etc. E no meu caso achei que fosse decisão mais adulta, planejar antes de sair, e não sair como um adolescente rebelde. Não discordo com o texto, já tenho uma data em mente e não estou tão longe disso. Ressalto que não sei se foi uma decisão inteligente ou adulta, mas pelo menos parei bem pra pensar no assunto várias vezes e essa foi a conclusão que cheguei.

    • andre goncalves

      “Muitos alegarão limitação financeira, afinal, fantasiam o sonho da casa própria. Honestamente? Quem quer aprender a se virar mora de aluguel, república, cabana no meio do mato, sei lá, mas não fica esperando as condições ideais para dar o passo decisivo.”

      Em q mundinho tu vives, psicólogo ?? Seria bom se informar mais a respeito de custo de vida e planejamento doméstico; clinicar deve ser muito rendoso, não é mesmo ? kkkkk

      • blogsobreavida

        Sei muito bem o custo das coisas e sei que estamos criando uma cultura que estende à passividade das pessoas até o interminável e como consequência nos queixamos de condições emocionais precárias que nós próprios alimentamos.

        Sim, sou partidário de uma condição externa não tão favorável para que crie condições emocionais mais desafiadoras, não necessariamente confortáveis.

        Só alguém que vive na linha da miséria poderia falar algo sobre dinheiro para deixar você confortável? Atacar o meu mundo não deixa o seu argumento mais válido. Além de vago seu comentário é ofensivo.

      • Leonardo

        “rendoso”
        É, com um português desses já sabemos porque o sujeito ainda mora com a mamãe (português ruim = dificuldade para ser contratado, já que não sabe escrever = continuar na casa do papai por falta de grana)

        PS: para quem não entendeu, o correto é “rentável”.

  • Adorei o texto e senti meu calo doer. Parabéns mais uma vez!

  • Ceradan

    Moro sozinha desde os 27 anos. Acalentei durante 10 anos o sonho de sair de casa e, ainda assim, aguardei as condições que eu considerei minimamente razoáveis. Acho que a solução está no equilíbrio. Ser impulsivo e impor a si mesmo uma condição financeira insustentável não é inteligente. Da mesma maneira, esperar para que tudo esteja perfeito e não haja dificuldades também não me parece sensato. Cabe a cada um analisar suas razões pessoais e verificar se é comodismo ou sensatez. Conheço pessoas que simplesmente não vão em busca da própria independência e sequer se dão conta disso! Acho que o Fred quis se referir a elas. Abraço a todos!

  • Ana

    Fred, gostei bastante do texto e entendo a dificuldade das pessoas em aceitar a necessidade que alguns tem de amadurecer, somente com a saida da casa dos pais. Essa maturidade nada tem a ver co m a idade da pessoa ou condição financeira: é puramente emocional. Minha filha de 8 anos, madura para sua idade, na sua inocência, me fez a seguinte pergunta: “mamãe, caso eu não encontre alguém legal para me casar, eu vou morar sozinha, pois fica bem esquisito eu, grande, ficar morando aqui, não acha ?”. Eu sorri, e pedi que voltássemos nessa conversa quando ela completasse uns 20 anos rs. Creio, sinceramente, que pais que criem seus filhos para o mundo, dando-lhes o devido suporte emocional, estariam criando filhos mais seguros e independentes. Filhos, antes de reclamarem do texto, analisem friamente a sua relação com seus pais … Abraço.

  • Carlos

    Excelente Texto!
    Concordo e considero um bom tapa na cara! Tapas esses que nossos pais não nos dão! rs
    Tenho 25 anos e ainda moro com meus pais, tenho minha liberdade de sair, dos “sumiços”, de levar pra durmir, de tudo… trabalho desde os 14 e desde os 17 pago grande parte das coisas de casa e tenho um bom relacionamento com meus pais… Gostaria de sair de casa para crescer mais, apesar de toda independencia ainda tenho meus mimos como comida feita e roupa lavada e sempre minha desculpa é: “Mas se eu sair não vou ter condições de ajudá-los”, po, eles ainda trabalham, fome eles não vão passar, plano de saúde eu já pago, então porque não sair desse comodismo e começar a agir por mais que isso me cause um certo desconforto financeiro? Acredito que com os aprendizados e o crescimento, terei muito mais condições de “fazer” mais dinheiro! As vezes precisamos dar um passo pra trás para dar 2 para frente!
    Obrigado pela Reflexão!

  • Camila

    Ótimo texto! Concordo com tudo! Quando eu morava com meus pais ficava DESESPERADA porque sempre pensei que eu tinha que dar conta de mim mesma porque eles não são eternos. E consegui!! Hoje tenho a minha própria família, casada com dois filhos, e nunca precisei de ajuda financeira dos meus pais. Mas minhas duas irmãs com mais de 30 anos ainda moram com eles.. elas estão esperando o emprego dos sonhos.. é uma questão muito complicada! Não sei se o custo de vida no Brasil é muito alto e as pessoas ganham mal, ou se é comodismo mesmo..Conheço várias pessoas que ainda moram com os pais.. acho que também tem a ver com nossa cultura brasileira, latina, de querer os filhos por perto.

  • Karina

    Boa tarde achei muito interessante sua matéria, visto que passo constantemente sobre isso em minha vida. E gostei muito da descrição sobre quem é o Frederico. 😉

    • renatapf1982

      Meu bem, suspeito q ele gosta de outro gênero…acho. Sem ofensas! É só suposição, e ñ interfere na qualidade dos temas tratados.

  • Crica33

    Verdade. A questão é basicamente financeira. Esses jovens de hoje acham que a vida é uma eterna gozolandia, querem manter um padrão de vida as custas do $ dos pais. Nem podem pensar em se virar pagando aluguel, entrando em um financiamento imobiliário como todo mundo de iniciativa faz. Na verdade estão esperando os pais morrerem pra herdar seus bens, sem deixar que eles usufruam. Uns egoístas.

  • Roberto Myles

    Gostei do assunto,agora sair , pagar aluguel passar fome e sujar o nome no spc tambem não é sábio.é preciso ter visão para tomar essa atitude tão séria,fazer isso para mostrar os outros que saiu de casa e depois voltar pior do que saiu é falta de planejamento e inteligência.pense bem!não é pessimismo é realidade mesmo,tenho vários amigos que sairam da casa dos pais sem filhos e de nariz empinado,e hoje vivem em duplex na casa dos pais e cheios de filhos,papagaios…. para não passar necessidade pois o aluguel ta caro.

  • Pietra Monique Bach

    Você está falando de pais normais, agora quando uma filha mulher, vive ao lado de uma mãe narcisista perversa, a libertação e autonomia é muito difícil, sabia? outra coisa, sou funcionária públca, professora prefeitura SP, o sr João Dória faz avaliação de desempenho sim, pra quem é professor a sua comparação não serve de nada, existem pais e pais, vivemos num país de muita dificuldade de emprego e desigualdade social imensa, o que se diz a respeito da classe média e classe média alta não se aplica as classes mais baixas, condições de vida e libertação só existe pra quem tem alguma estrutura, há um emaranhado de pessoas no mundo, e outros muito pobres vivendo em alugueis de um cômodo, porque os pais estão no nordeste etc… há dois polos, os metidos a riquinhos folgados que não querem nada com nada, e os pobres que não tem outra opção a não ser trabalhar e viver a vida com autonomia.Há uma diversidade de situações, pais perversos também que sabotam os filhos, tratando-os como propriedade deles.E fazendo de tudo pra impedir a libertação, minha mãe foi assim, na ADOLESCÊNCIA DOS 12 ATÉ OS 17 ELA ME DOPOU COM REMÉDIOS PSIQUIATRICOS QUE NA ÉPOCA ELA COMPRAVA NUMA BOA SEM RECEITA NA FARMÁCIA, me internou, tomei choques na cabeça tudo sem a menor necessidade, me libertei engravidando só assim suspenderam os remédios que me impediam de estudar e trabalhar, com uma filha pra criar e sem estudo foi mil vezes mais difícil a libertação, além disso, sou deficiente visual o que me atrapalhava de arrumar emprego, com baixa visão, foi uma luta,passei a vida vendendo planos de saúde, enfrentei dificuldades, arrumei uma bolsa no Prouni, me forrmei aos 47 em pedagogia, passei no concurso e vou ter que trabalhar até os 70 pra me aposentar, fui morar sozinha muito tarde, minha mãe morreu, enquanto esteve viva, fez tudo o que pôde pra impedir minha tão sonhada autonomia,mas eu venci. aos olhos alheios, eu morando comeela deposi dos 30 era uma abominação, porque minha mãe na vizinhançae sociedade, se fazia de muito santa, e ninguém suspeitava o martírio que ue passava em casa.