Avareza emocional

Você já deve ter se perguntado em algum momento da vida se aquilo valia a pena.

Quer resumir a vida num frasco

Se essa pergunta está sempre na sua cabeça é provável que você seja um belo candidato à avareza emocional.

O avarento emocional é aquele que está sempre calculando seus passos e verificando cada manobra que vai realizar de forma meticulosa para evitar o mínimo de riscos possíveis. Ele alega medo de sofrer ou de perder aquilo que possui.

Considera tudo precioso demais para colocar no meio na fogueira. Cada ação é posta sob avaliação: “será que devo fazer isso? Por que razão? Quem vai? Que horas volto?”

É uma pessoa cheia de reservas, movimentos milimetrados, regrados, polidos, calculados e minguados.

O avarento é uma pessoa minguada…

Sua maneira de amar é um tormento, pois só oferece se tem a garantia de receber. Alega trauma, mas no fundo é sovina, quer tudo para si. Quando termina um relacionamento tem uma lista de motivos e exigências não cumpridas pelo parceiro. Sempre acha que deu demais.

Atrás de sua aparente segurança uma tristeza avassaladora o impede de se render a escolhas espontâneas e cheias de vida. Não dança, não tropeça, não fala ou geme alto.

Tudo sob controle é seu lema.

Se queixa que tudo está fora do lugar. A reclamação é sua aliada de todas as horas.

Seus relacionamentos são resultado de uma sequência de exames clínicos bem apurados, pior que os concursos de magistratura ou fuzileiros navais americanos.

Não goza, não ri de si mesmo e se leva demasiadamente a sério. Não gosta de folia, se inquieta com barulho e coisas fora do lugar.

Quem deixar as coisas como está apesar de tentar convencer a si mesmo que é descolado e quer curtir a vida. Suas viagens tem um roteiro certo e jamais passa um sinal vermelho dentro de si.

Moralista camuflado está sempre apontando, criticando, maldizendo, praguejando a corrupção do mundo e as desventuras de seu pais.

Os vizinhos são seu prato preferido, afinal ele se acha ponderado, sensato e cheio de verdade. Adora as verdades. Seu partido político é o melhor, o time é o vitorioso e sua religião possui a salvação definitiva.

Questionamento é para os fracos, acredita.

Seu destino? A solidão de quem pode ter mil pessoas ao seu redor, mas o incrível abismo que sua “retidão” de carater impõe a ele.

Ao ler esse texto irá respirar fundo e dizer, esse não sou, mas se você leu esse texto até o fim, pode ter certeza que é um belo candidato.

________________________

Leia mais

Top 5 sobre personalidade

About the author

Sonhador nato, psicólogo provocador, apaixonado convicto, escritor de "Como se libertar do ex" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão e lava pratos.

Related posts

  • Rafaela Waisman

    Ué. Só apontou as características, mas eu quero saber é da solução!

    • Kal-El Greg

      Relaxa e goza.

  • Kal-El Greg

    Sim, sim… somos sim.

  • FuiTapeado

    Desculpa aí cara. Não sabia que o “jeito certo” de se viver é sendo desleixado, preguiçoso e rindo de tudo.
    Vc é o cara hein, só vc sabe de tudo, só vc sabe o que é o certo e errado, como se deve fazer e como não se deve fazer as coisas, aliás tu é psicologo não é mesmo? O ser que mais analisa e julga os outros em cima de um pedestal de superioridade, alguém que implicitamente se julga o deus da verdade.

  • Otávio Fortunato

    Interessante texto, mais a modo de crítica dos costumes do que de análise. O psicodrama do avarento é realmente uma coisa digna de ser estudada, pois que está no extremo da obsessão egóica. Por vezes, cria os egomaníacos inveterados que tanto fazem para atormentar as nossas vidas. Se o mundo fosse mais pronto a dar às pessoas o que necessitam (“o pão da vida”), talvez criassemos menos criaturas com inteligências aguçadíssimas e pouca consciência emocional. É uma infelicidade que cultuemos com tanto fervor o prazer em forma de sofrimento. Os antigos sabiam melhor, porque eles estavam mais juntos da terra, não pretendendo “sair por aí voando” feito uns desmiolados.