Verdades duras de um casal

Na média dos homens me considero um péssimo motorista. Daqueles que não vê a placa de proibido seguir  virar a esquerda, passar em cima de tartaruga, se perder num caminho que já fez 10 vezes, se confundir mesmo. Me sinto um lixo por isso as vezes. E grande parte das mulheres que me relacionei me fizeram sentir pior. Sorte que viraram ex-. Mas não posso dizer que era responsabilidade delas, afinal eu tentava esconder o jogo sempre. Eu dava um jeito de parecer que estava confortável, seguro e dono da situação. Comprava GPS, ficava com o rosto colado no para-brisa e realmente suava frio ao tentar mostrar “sou fodão no volante!”. Hoje dou risada disso, não que eu goste disso, preciso melhorar, estou mais aplicado, mesmo fazendo besteiras.

É assim que você quer passar a vida toda?

Mas o que me ajudou foi jogar a real no relacionamento, “olha, sou um bração no volante, me sinto triste, raivoso e desconfortável toda a vez que dirijo, TODA vez, gostaria de ser o cara que te deixasse relaxada e despreocupada nos caminhos, mas não sou esse cara! E talvez seja algo não superável, mas enfim, quero parar de ficar fugindo disso e preciso da sua ajuda, sério!”. Recebi um sorriso e palavras doces, aquilo me aliviou. Continuo dirigindo mal.

Fiquei me perguntando quantas vezes ocultamos algo da pessoa que nos relacionamos por medo de parecer bobo, ingênuo, fraco, frágil, doido, vulnerável. E quantas vezes causamos mais problemas ao tentar ocultar aquilo do que se jogássemos a carta sobre a mesa.

Alguns podem alegar que fazer isso seria o mesmo que desenhar um alvo na testa para ser criticado ou humilhado. Mas acho que é o jeito que falamos que ferra tudo. Eu poderia ter falado tudo que falei acima como um esnobe cheio de razão que mesmo na lama ainda quer parecer estar por cima.

Se você tem algo difícil que precisa ser dito, diga serenamente, com a humildade de quem não sabe e precisa de ajuda. Peça ajuda e o amor da pessoa irá fazer aquilo que era um problema se tornar uma jornada que reaproxime um casal.

“Tenho medo de ser tratada como tola quando faço carinho em você, não sei o que acontece, mas acho que vou parecer fraca.”

“Já é a segunda vez que broxo e tenho sentido medo de acontecer de novo. Estou ansioso e com receio de que vá me deixar porque pareço não ser tão homem para você.”

“Tenho medo de dizer que te amo, pois todos os caras com quem me relacionei me deixaram depois que falei isso. Com você parece ser tudo diferente, mas mesmo assim tenho medo, poderia me ajudar?”

“Quando você ganhou sua promoção eu senti inveja de você porque estou cansada de trabalhar no mesmo lugar e nunca ser promovida, me ajuda a superar esse sentimento e conseguir um trabalho melhor?”

“Nem sempre quero sexo e não é porque não te amo, mas esse é um assunto tabu para mim, mesmo que eu tenha 40 anos.”

“A grana está mais curta e queria sua ajuda para conter gastos por um tempo. Seria importante para mim ter sua ajuda.”

“Descobri que tenho medo de ser feliz e isso acabar logo, então estou sempre reclamando de tudo para não deixar a euforia tomar conta e depois tudo desaparecer como se fosse vapor.”

“Tenho um ciúme brutal de você, as vezes quero que fique me adulando como um bebê de 5 anos de idade e que nunca saia de perto de mim, sei que é irracional, mas imagino você saindo com outros homens todo dia que vou para o trabalho. Isso me deixa louco!”

“Quando você sai com seus amigos eu me sinto excluida e como se não pudesse participar da sua vida e você quer tirar férias de mim. Me ajuda a sair desse sentimento?”

“As vezes acho você sem personalidade quando fica copiando seus amigos nos hobbies deles ou quando não sabe dizer o que realmente tem vontade de comer quando vamos sair. Isso me deixa triste e fria com a relação, quero mudar, mas preciso da sua ajuda.”

“Quando você fala alto eu tenho vontade de chorar muito alto porque me sinto pouco amada e com medo de você. Depois você quer transar e eu estou triste e com medo, não com tesão. Eu me sentiria melhor se não gritasse tanto!”

Notem que nenhum desses apelos vem de uma base orgulhosa, que tenta se impor sobre o outro por meio da fraqueza ou da acusação. Todas elas tratam do incomodo como algo que deve ser cuidado pelos dois e não por uma pessoa contra a outra.

O problema não é a pessoa do outro lado da história, mas o sentimento que está aparecendo ali. Essa é a verdade oculta que merece ser compartilhada. “Eu sinto isso que me afasta de você, me ajuda com isso?”

Me digam, agora acham isso possível? Já experimentaram algo parecido?

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Precisa de AJUDA com Seu Relacionamento ?

Veja o vídeo abaixo: 

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About the author

Sonhador nato, psicólogo provocador, apaixonado convicto, escritor de "Como se libertar do ex" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão e lava pratos.

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  • Júlia

    Este texto me ajudou muito mesmo, obrigada! Tenho até aprendido a me comunicar melhor.

    Estou num ponto num relacionamento em que comecei a perceber a ausência dele e eu não sabia como agir, resolvi me abrir sendo o mais sincera possível (sem ataques, acusações ou cobranças) apenas disse:
    “ME AJUDA a entender melhor esse seu momento” “EU estou me sentindo distante de você porque temos menos contato, mas ainda penso em você e sinto sua falta”
    Com isso obtive uma resposta muito honesta, não foi a que eu desejava, mas ao menos estou me sentindo bem. Não estou ansiosa ou insegura e tive uma visão muito mais racional e clara da situação.
    Mais uma vez obrigada.

  • Thiago

    Meu relacionamento atual está baseado em verdades, tive dois relacionamentos que não deram certo por esconder algumas coisas. Agora tudo que eu penso eu falo, se eu não gostei de algo eu falo… Pode ser ruim de momento… Mas a longo prazo isso é a melhor forma de ter um relacionamento.

  • Sophie

    queria ter lido antes esse texto. que pena.

    • blogsobreavida

      Todos nós gostaríamos de ter lido isso antes. Até eu

  • juliana

    E um texto tocante, me deixou triste porque nunca fomos capazes(meu ex e eu) de sermos sinceros com suavidade,sempre escamoteamos as verdades, usamos de subterfugios e meias-verdades pois “pensamos que a dor seria pela metade tambem”….ledo engano, tudo se perdeu,se partiu por inteiro e o que restou?Meias pessoas tentando ajuntar uma vida inteira…

  • Alek

    Texto verdadeiro e possível de ser aplicado.
    Eu me reconheci em uma das frases aí listadas: falei quase palavra por palavra exatamente como está no texto. Pena que não surtiu resultado.
    De resto, fica pelo menos a sensação de se ter tentado fazer coisas da melhor maneira.

  • Felipe

    Queria ter lido antes também hehehe. Mas já havia lido sobre estratégias de comunicação justamente nas quais o emissor tenta expressar os problemas de maneiras diferentes como abordadas ai.

    Porém acho que vale algumas ressalvas:

    1 – Nesses exemplos que você listou, muitas situações podem não ser uma boa se expressar dessa forma talvez pelo nível de intimidade do casal no momento, ou pelos 2 não estarem compartilhando o mesmo pensamento. Essa vulnerabilidade excessiva acho que pode as vezes assustar a outra pessoa, por enxergar problema demais talvez mais do que ela esteja imaginando e daí é preciso maturidade, eu acho, para processar bem isso. As vezes a pessoa pode se sentir ofendida mesmo dessa forma, por ela filtrar e focar o problema nela, apesar de estarem pedindo ajuda e apoio.

    2 – A outra pessoa pode perceber isso mais como uma insegurança, ainda mais se ela for insegura, e assustar mais ainda, se sentindo instável na relação.

    Acho que me enrolei um pouco no português mas espero que tenha dado para passar a mensagem.

  • Priscila Catarino

    Me identifiquei, geralmente faço isso e funciona. Tento demonstrar o que não está legal de forma suave, e peço ajuda para melhorar. Funciona com a gente.