Não tenha filhos!

* Por Juliana Baron

Peço que você leia o texto antes de tirar qualquer conclusão a partir do título.

Por conta de um trabalho da faculdade, precisei, junto com meu grupo, estudar os sentidos atribuídos à maternidade para mulheres não mães voluntárias, ou seja, mulheres aptas a terem filhos, mas que escolheram não os ter. E desde que começamos a realizar o trabalho, o tema me fez refletir MUITO.

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Ainda paralela a essa pesquisa, por causa de outra matéria que estudei nesse semestre, comecei a pensar em como as crianças são vulneráveis e como elas são expostas aos maiores absurdos quando ainda nem tem a devida capacidade de compreensão. Quando olho para meu filho, tão indefeso, como um HD zerado esperando por conhecimento, amor e atenção, fico com o coração apertado pensando em quantas crianças vivem em situações de extremo sofrimento. E aqui eu não me refiro somente a condições de pobreza, fome e violência física, mas violência emocional, psicológica e abandono por parte dos pais. Crianças, algumas com as quais eu convivo, que testemunham brigas dos pais, quando não são envolvidas nelas, que são chamadas de “bobalhonas”, “feias”, “terríveis”, que tem a sua educação totalmente terceirizada e que são deixadas de lado até por um aparelho de celular.

Como sempre procuro escrever sobre experiências que, de certa maneira, conheço, não teve como eu não misturar a essas duas reflexões um pouco do que eu vivi sendo mãe, sem ter planejado. E talvez, justamente, por ter vivenciado essa situação, hoje defendo e procuro falar sobre a importância de se ter um maior cuidado quando o assunto é ter filhos ou não. Porque reconheço que consegui conduzir a maternidade de um modo bacana, mas e aqueles que não dão conta? Não consigo concordar com o fato de que crianças, que não escolheram nascer, paguem o preço pela irresponsabilidade dos seus pais.

Em contra partida, comungo com a ideia de que devemos respeitar e honrar os nossos pais e aceita-los como um todo. Aceitar as suas fraquezas e limitações e entender que eles sempre dão o seu melhor. Porém, hoje, como uma defensora do direito desses pequenos vulneráveis e como uma mãe, alguém totalmente responsável pela vida de outra pessoa, também comungo com a ideia de que devo sempre buscar a minha melhor versão para exercer esse papel da melhor maneira possível. Digo que eu sou a melhor mãe que o meu filho poderia ter, mas isso não justifica e não me isenta de estar sempre tentando evoluir. Se não for por mim, que seja por ele.

Sim, acredito muito que junto com o filho podem nascer os pais. Já conheci muitos casais que aprenderam na prática e que hoje são ótimos responsáveis pela formação de alguém, mas repito, e aqueles que não dão conta?

No nosso trabalho, o principal motivo apresentado pelas entrevistadas para não terem filhos, foi a responsabilidade que a maternidade traz consigo. Ou pelo menos, que deveria trazer. Assim, concluímos que ao contrário do que pregam por aí, quem escolhe não ter filhos, quem se diz não estar pronto para assumir essa responsabilidade, está longe de ser egoísta. Egoísta é quem tem e não cuida, quem decide ter por um capricho ou por pura conveniência social.

Portanto, se você não está disposto a ser pai ou mãe, o que vai muito além de apenas ter um filho, se a sua imagem de paternidade ou maternidade se baseia naquelas crianças sorrindo brincando no parque (o que acontecerá em 0,0001% da sua semana), se você pensa em tê-los para não se sentir sozinho no futuro ou para corrigir erros que você mesmo cometeu na vida, não tenha filhos! Não transfira para uma criança toda a sua carga de frustrações ou a responsabilidade de transformar a sua vida. Sim, crianças trazem alegria e te apresentam um amor sem tamanho, mas elas exigem muita doação, muita entrega e muito tempo disponível.

Sugiro que você adote um animal ou procure uma terapia.

(Desculpem a franqueza, essa é só a minha posição).

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Baron* Juliana Baron Pinheiro: casada, mãe, mulher, filha, irmã, amiga, formada em Direito, aspirante à escritora, blogueira e finalmente, estudante de Psicologia. Descobriu no ano passado, com psicólogos e um processo revelador de coaching, que viveu sua vida inteira num cochilo psíquico. Iniciou uma graduação para compartilhar com os outros a maravilha da autodescoberta e que acabamos buscando aquilo que já somos. Lançou seu blog “Psicologando – Vamos refletir?” (www.blogpsicologando.com), com textos que retratam comportamentos e sua caminhada no curso de Psicologia.

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  • Mônica Belarmino

    Devia ter encontrado esse seu texto antes RS. Amo meu filho mas estou tão decepcionada com a maternidade eles vendem como se fosse um mar de rosas.

  • Fui basicamente obrigado ser pai por uma escolha egoísta da minha esposa, ela escolheu por si só sem me comunicar que pararia de tomar os remédios para poder engravidar, eu amo meu filho, mas daria qualquer coisa para viver em um mundo que eu não tivesse essa responsabilidade, o mar de rosas que muitos vendem só existe em postagens bonitas na internet, dentro de casa a coisa muda, são brigas, birras, falta de dinheiro, de paciência e centenas de milhares de outras coisas que fazem com que você pense em cometer suicídio a cada segundo. Parece um pouco sombrio o que eu disse? Mas esse é um relato real de alguém que convive no INFERNO que é uma vida de pai em um relacionamento que só se perdura por causa da criança, SIM não é possível conviver separados pois nenhuma das partes tem condição de fazer isso sozinho(a)…espero que eu fique somente na vontade de suicídio e não cometa isso de fato, mas a cada segundo que passa, a cada choro, a cada birra, essa vontade aumenta exponencialmente. A humanidade tem que continuar, mas não coloque uma vida no mundo se você não tem nem condições de cuidar da sua vida própria.