10 dicas antes de emitir uma opinião na internet

Como uma postagem pode construir um mundo no qual você não quer viver

* Por Frederico Mattos

As redes sociais viraram um caldeirão de palpites, opiniões e debates, até aí tudo lindo, afinal é importante para a democracia e a evolução das pessoas aprenderem a se expressar. Mas a liberdade também merece ser melhor trabalhada para que o ambiente virtual não se transforme numa plataforma de problematizações vazias e perda de tempo. Alguns critérios podem ajudar você a decidir se vai se expressar vistualmente ou se seria melhor guardar com você o seu palpite ou elaborar melhor o que vai dizer.

1. Tem fundamento?

Para algumas pessoas a preocupação com a veracidade de uma notícia parece não ser um critério importante, mas muitas injustiças, reputações indevidamente manchadas e vidas destruídas foram resultados de inverdades espalhadas. Pode parecer saboroso degustar de uma notícia emocionante e que confirme nossas convicções, mas mesmo assim ao compartilhar vale checar em vários locais se a informação procede ou se surge de veículos tendenciosos ou até de sites que publicam notícias falsas e bem humoradas.

2. A quem beneficia?

Reclamamos de que o mundo é uma desgraça e que só existem catástrofes no meio do caminho, mas quem é responsável pela propagação de notícias problematizadoras somos nós, a rede. Se você quer expressar sua indignação pode publicar uma matéria e ser mais específico no comentário, explicar o motivo exato pelo qual aquilo toca você, abrir para conversas e não simplesmente jogar algo podre no ventilador imaginando que está sendo o paladino do bem para a humanidade.

Notícias ruins precisam ser compartilhadas, mas equilibrando nossa timeline para que não viremos programas de notícias policiais. Se o texto for endereçado a uma ou duas pessoas mande por inbox, as vezes o silêncio para fofocas desnecessárias é o melhor jeito de colocá-las no ostracismo.

3. Que emoção provoca nos outros?

Que tipo de divulgador emocional você quer ser? As palavras tem um pode de construir uma imagem ao nosso redor e na internet são as nossas postagens que criam a nossa “aura” virtual. Faça uma visita na sua timeline, como se fosse outra pessoa e tente pensar em como você própria enxergaria essa pessoa? Ela causa uma sensação de atração ou repulsa? Me faz me aproximar ou afastar? É aberta ao diálogo ou parece uma pessoa cheia de intrigas sentada na janela?

4. É ofensivo com minorias?

Esse assunto é super delicado, pois quando algumas pessoas pensam em minorias querem fazer conta matemática populacional. Os preconceitos são responsabilidade coletiva, quando incentivamos, compartilhamos conteúdo “humorístico” que reforça visões limitadas, problemáticas e radicais estamos pulverizando ideias com pouca compaixão. Quando alguém teme que seus filhos sofram preconceito deveria se perguntar se alimenta um mundo com preconceito que os próprios filhos irão enfrentar.

5. Instrui, alegra ou comunica

O que você que causar com sua comunicação? Quer comunicar algo, alegrar alguém, sensibilizar para uma mensagem positiva, inspirar crescimento, colocar o dedo na ferida, instruir os demais? Muitas pessoas se queixam que foram mal interpretadas nas suas postagens, mas nem elas mesmas sabem o que intencionavam como resultado daquela postagem.

6. Constrói pontes ou afastamentos?

Você quer se aproximar das pessoas pelas redes sociais ou que afastar? Quer que as pessoas o conheçam ou que se confundam com a mensagem?

7. Aquilo é prático? Resolve algo de verdade?

Existe utilidade prática no que está comunicando ou instruindo, abre caminho para ações ou reflexões úteis para os outros ou simplesmente lança bombas estéreis no seu contexto virtual?

8. Aquele é o melhor meio para emitir?

Ainda assim, acha que pela internet seria o melhor meio para comunicar sua visão? Poderia ligar para alguém, falar pessoalmente, mandar por whatsapp, enfim, criar interações sensoriais ou apenas jogar uma informação ao vento?

9. A quem se dirige chegará a mensagem adequadamente?

Realmente acha útil mandar indiretas ou mensagens ambíguas para comunicar algo importante?

10. Você olharia com orgulho depois de uma noite de bom sono

Se respirar fundo, der uma volta no quarteirão, dormir, comer, fazer um sexo gostoso, ser feliz, ainda assim postaria esse conteúdo?

Então maravilha, vai lá e posta, construa com algo realmente importante.

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* Frederico Mattos: Sonhador nato, psicólogo provocador, autor dos livros Relacionamento para leigos (série For Dummies)[clique], Como se libertar do ex [clique aqui para comprar] e Mães que amam demais. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas cultiva um bonsai, lava pratos e se aconchega nos braços do seu amor, Juliana. Oferece treinamentos online de “Como salvar seu relacionamento” e “Como decifrar pessoas” No Youtube seu canal é o SOBRE A VIDA [clique aqui] No twitter é @fredmattos e no instagram http://instagram.com/fredmattos – Frederico A. S. O. Mattos CRP 06/77094

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  • Miguel Melo

    Esse tópico sobre minorias é chover no molhado. Há a ideia, profundamente enraizada na extrema direita que minorias devem ser desconsideradas, porque afinal, SÃO MINORIA. Para eles, os anseios da minoria nunca devem ser maiores que os da maioria. “Se tem 400 vagas de carro para não deficientes, porque deveria haver 10 vagas para deficientes?”. Neste caso é bem simples. Eles nunca se imaginam sofrendo um acidente e ficando “deficientes”. Então, para que raios “deficientes” querem ter os mesmos direitos dos demais? Pior, para que querem ter MAIS DIREITO QUE OS DEMAIS? E aí, tome-lhe xingamentos, piadinhas sem graça, menosprezo, escárnio e até violência física. Esse pensamento é comum. Poucos põem em prática, mas no íntimo deles é isso que gostariam de fazer, por isso essas opiniões defecadas pela internet. A extrema direita é fera em preconceitos, rotulações e violência gratuita. O sonho deles é impor sua vontade a força em qualquer um que discordar. Palavras como matar, bater, prender, exilar e outras privações de liberdade são muito comuns no discurso destas pessoas. A extrema esquerda é tão ruim quanto, mas não tem comparação.

  • Tiago

    Ja perdi incontaveis horas na internet, até horas de sono discutindo com quem nem sei quem era por assuntos fúteis. Aprendi que por mais que você se convença de estar certo e, mesmo se estiver. Ninguém dará o braço a torcer! Moral da historia… deixe discussões bobas pra lá.