Tenho cuidado de uma moça em que o tom das nossas conversas tem sido esse ”por que meus pais não se separam?”. Segundo ela são infelizes, não se tratam bem, vivem desconfortáveis, dividindo uma cama por aparência, nunca se acariciam e aparentemente o pai tem uma companheira fora do casamento há 10 anos.

O diagnóstico dela é simples: separação.

pais casados

O grau de indignação é tão grande que mal consegue falar sem se alterar, soluçar de choro e passar muito tempo indignada com tamanha discórdia em volta dela.

Ela tem uma propriedade na fala que se eu pudesse fechar os olhos ouviria uma esposa falando revoltada de seu marido traidor. O pai se tornou um monstro do qual ela não se aproxima. A relação deles como pai e filha seria excelente, devido o temperamento agradável e vívido do pai, mas ela comprou a briga da mãe e vive em pé de guerra com aquele homem sem caráter e traidor.

O casamento de aparência parece que tem sido um acordo de muito tempo para preservar a família. De fato, eles tem filhos crescidos, formados e bem encaminhados, mas o casamento permanece lá, corroído por cupins emocionais.

Ela já não sabe como reagir e se debate infinitamente. O grande problema é que a própria vida emocional dela está parada e conturbada há anos em relacionamentos de vai e volta ou com total falta de confiança nos homens, parece que vê a sombra do pai projetada em cada rapaz que se aproxima. Mesmo aqueles que se mostram confiáveis, como era seu pai antes da descoberta terrível de traição, pagam o preço. Cada candidato é inspecionado durante meses e mesmo assim sofre pela desconfiança obsessiva dela.

Esse caso que citei, que obviamente é um composto de múltiplos casos parecidos que já atendi, é bem mais comum do que se imagina. Existe uma multidão de casamentos de aparência que criam filhos muito perturbados com a mistura de valores como família, amor e hipocrisia.

Os filhos por outro lado colaboram para o circo pegar fogo no momento que assumem o papel de cônjuge auxiliar e saem do lugar de filhos. julgam e massacram a pessoa culpada da questão e se envolvem num quarteto amoroso, pai, mãe, amante e filha(o).

Muitos filhos se envolvem no relacionamento amoroso dos pais, com suas alegrias e infortúnios, e acabam entrando num labirinto mental de confusão que depois nunca conseguem sair a não ser com um custo psicológico muito alto. Julgar os pais pode parecer sedutor pelo status de poder e controle que se exerce, mas tem um preço emocional caro.

No momento em que cada um começa a ficar no seu quadrado e deixar que a ideia de vítima e algoz se desfaça existirá uma esperança. Adultos sabem o que fazem, e ainda que não saibam precisam descobrir por conta própria. Para filhos que se acham super maduros por meter o bedelho na vida amorosa dos pais vai um conselho vivam as suas vidas que já está de bom tamanho.

Esse deveria ser um assunto sagrado, não por ser religioso, mas para evitar emaranhados que estão muito além do alcance do que o papel de filho pode contemplar.

Os filhos são filhos, os pais são pais (e um casal entre si) e assim deveria ser, nada mais nada menos.

Respondendo de forma malcriada sua pergunta inicial ”por que meus pais não se separam?”, porque não é da sua conta o que eles fazem dentro e fora da cama.

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