O seu amor tem a sua cara

O amor como meio de conhecer a si mesmo

*Por Frederico Mattos, psicólogo clínico

Quando pensamos no ato de amar e ser amado idealizamos um cenário romântico onde duas pessoas estão emocionalmente disponíveis e plenamente capacitadas para o encontro com o amor.

O amor, no entanto, é um sentimento, que apesar de parecer universal também passa por um processo educacional ao longo da vida.

A forma como fomos amados pelos nossos pais, amigos, professores e parentes carregou nossa forma de amar com as tintas que fazem parte da nossa personalidade.

Uma pessoa educada de um jeito preocupado, tenso, aflito com o amanhã certamente amará alguém usando dessas mesmas qualidades tóxicas. Não é possível neutralizar o que somos quando amamos. Pelo contrário, quanto mais amamos mais expostos estamos ao que há de problemático na nossa personalidade. Não raro muitas pessoas chegam numa constatação amargurada de que parecem agir pior quando estão num relacionamento. Elas notam que o desejo de amar e ser amado desperto sua pior faceta.

Alguém que foi tratado com cobranças, culpa, raiva e pequenas agressões cotidianas, sem perceber, irá descarregar na pessoa amada o mesmo tipo de fuligem violenta que foi submetida.

A maneira com que você se relaciona, conflituosa ou leve, é um retrato do tipo de dinâmica emocional que traz internamente. Ela pode ficar camuflada numa película de agradabilidade na fase bem inicial da paixão, mas que vai manifestando seus tentáculos lentamente com o tempo.

Portanto, não imagine que o amor irá curar você, ele pode certamente ser um espaço de transformação. Mas só será efetivo se você arregaçar as mangas e trabalhar honesta e efetivamente para mudar.

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* Frederico Mattos: Sonhador nato, psicólogo provocador, autor dos livros Relacionamento para leigos (série For Dummies)[clique], Como se libertar do ex [clique aqui para comprar] e Mães que amam demais. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas cultiva um bonsai, lava pratos e se aconchega nos braços do seu amor, Juliana.

Treinamentos online de “Como salvar seu relacionamento” e “Como decifrar pessoas”

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Frederico A. S. O. Mattos CRP 06/77094

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  • Muito grato pelo texto, Fred!
    E parece que chegou no momento “exato” da minha vida amorosa. Momento em que me noto desconfiado e ansioso demais pela atenção e conhecimento da outra pessoa.

    É terrível!
    Não me vejo num estado patológico, a ponto de parar minha vida para saber onde ela está, com quem está, o que está fazendo, etc.
    Mas volta e meia, nas últimas semanas, tenho tentado ver se ela está online e, às vezes, vêm à minha mente pensamentos tolos, ciumentos e idiotas.

    Não a trato mal por isso (por enquanto).
    Quando penso em infidelidade da parte dela passo a refletir que não cabe ficar parando pra imaginar se está ou não (e ela não me dá motivos concretos) e que se eu nada sei é o que importa.

    Ajuda, mas não tem tido o efeito que gostaria.
    É difícil, pois eu também tenho uma vida que me distancia dela por conta de trabalho e afazeres e não conceberia que ela duvidasse de mim com ninguém!
    Mas aí me percebo hipócrita e machista ao não permitir ter a mesma compreensão com ela.

    Enfim…
    Foi um desabafo… rs
    Seu texto me fez pensar no quão preocupado sou com tudo isso e como meu futuro com ela se torna mais incerto com a possibilidade de que eu faça coisas desagradáveis sem motivo.
    E vem de mim. Eu era bastante diferente no início do relacionamento, como bem pontuou. Hoje, como descrevi, me vejo outro homem, outro namorado.
    E não me orgulho dele…