Comida como representação de afeto

*Por Josi Bessa, nutrição

Pense nos momentos da sua vida!
Percebe algo em comum nesses momentos?
Conseguiu encontrar algo?
Não?

Vou adivinhar. Em todos esses momentos a comida esteve presente. Não tenho bola de cristal e nem consultei os astros para saber dessa informação, mas a comida está presente em todos os momentos das nossas vidas e ganham uma representação muito forte ao longo da nossa história, pois faz parte da cultura de todos os povos do mundo.

Quem nunca falou uma frase como essa:

“Que vontade de comer um bolo feito pela avó”

Acabamos associando comida com afeto. Afinal, aprendemos a amar no seio da mãe e é através do leite materno que acontece a construção desse sentimento. Festa de aniversário sempre tem comida (já imaginou uma sem?), casamento também tem e até alguns velórios.

Agora uma história para vocês perceberem como essa relação de comida e afeto é fortíssima.

Em 2013 me mudei para o interior de São Paulo para estudar nutrição. Nos dois primeiros anos de faculdade almocei e jantei no restaurante universitário e logo depois dessas refeições sentia muita vontade de comer doces, consequentemente meu consumo de bombons aumento muito. E foi em 2015 nesse processo de entender porque eu sentia tanta vontade de comer doce (antes não sentia tanta vontade) que tive um insight e descobri que tinha vontade de comer a comida da minha mãe que é muito temperada (ela é baiana hahaha). Então passei a trazer os temperos de casa para minha república e comecei a cozinhar.

Reaproximei-me das lembranças com minha mãe quando ainda morava em São Paulo e trouxe o tempero maravilhoso para a comida, que me trouxe mais para perto das minhas raízes baiana. Ah! O consumo de doce diminui consideravelmente, pois descobri qual era meu real desejo quando comia bombom, era desejo de comida de mãe.

Toda essa história para dizer que a comida vai além dos aspectos nutricionais. O consumo de algum alimento pode ter relação direta com alguma lembrança ou afeto.

A comida pode trazer uma sensação de paz e carinho quando se passa por um momento difícil. Comer pode trazer mais tranquilidade para o momento.

Muitas vezes isso é construído na nossa infância.

“Ralou o joelho? Vamos lá tomar um sorvete que passa!”

Essa é outro tipo de frase que pode moldar nossa relação com a comida. Acabamos pensando que comer é a única maneira de lidar com as emoções. Assim, o consumo de altamente calórico e com baixo valor nutricional pode estar constantemente presente na sua alimentação.

Vejo essa ligação comida-afeto como duas faces de uma moeda. Ora pode nos conectar com momentos e pessoas que amamos, ora pode ser usada válvula de escape para lidar com os problemas. Nesse texto [clique aqui] discuto um pouco mais sobre esse comportamento de lidar com os problemas através da comida.

E aí, COMO você come?

Beijos e até a próxima!

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*Joseane Bessa – Sonhadora, estudante de nutrição e determinada. Negra, crespa, paulistana com coração de baiana, fascinada com a interação da psicologia e da nutrição. Ama comer e é apaixonada por bolo de prestígio. Escreve no seu blog www.gostoleve.com

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