Mulheres são invejosas e competitivas?

A inveja é sempre proporcional ao grau de repressão que uma pessoa impõe aos seus desejos. Na falta de possibilidades reais (ou imaginárias) de se deliciar na vida o sujeito olha para o lado e suspira triste pelo bem-estar alheio como que se projetando amargurado sobre a conquista que não é sua.

Captura de Tela 2013-05-19 às 21.37.40

Se ela confiasse mais no próprio taco isso não estaria acontecendo

Quando vê alguém bem sucedido ele não necessariamente deseja que a pessoa perca o que tem, mas se recorda que ainda não tem aquilo que almeja e se entristece. Nos casos de inveja leve a pessoa pragueja um pouco ou faz uma crítica do tipo: “é rico, mas é infeliz”ou “que adianta ser casada e chifruda”. Essa é uma maneira de atacar imaginariamente para diminuir a sensação de menos valia. Nos casos doentios a pessoa vai atacar abertamente, fofocar e até colocar a casca de banana no caminho do outro para que o “inimigo” caia.

Vivemos numa cultura machista que privilegia as realizações masculinas e até as facilita em detrimento das femininas. Haja visto muitas afirmam que se pudessem nasceriam homem em outra vida. Sim, goste ou não os salários ainda são maiores para homens e oportunidades de melhores empregos ou cargos de lideranças são prioritariamente masculinos.

Desde cedo as meninas são incentivadas a fechar as pernas, falar baixo, não brigar e conter sua libido. Repressão pura.

Nesse sentido a inveja feminina não é natural como se pensa, mas um produto da cultura machista que desprivilegia a manifestação das mulheres e taxa com preconceito qualquer forma de liberdade espontânea.

Basta notar a menor inveja de certos tipos de mulheres que são mais desencanadas, até desbocadas e chamadas liberais.

A competitividade das mulheres é sempre em função da liberdade que sentem que vem da outra. No fundo é isso que as perturba, perceber que a outra teve mais ousadia para se vestir, falar, interagir e trabalhar. A invejosa que sempre foi educada para conter a si mesma lamenta não ter o despudor de dizer o que pensa, por isso secretamente maldiz a outra que obteve mais destaque. Parte dela, ainda que não admita gostaria de ser tão livre e espontânea para no mínimo ter a opção de fazer aquilo, mesmo que escolha não fazer.

Pense na situação embaraçosa de ser mãe de uma jovem adolescente. A beleza juvenil da filha é um lembrete que o tempo passou e ela já não é mais tão atraente e jovem quanto antes. Sem que perceba, a mãe se vê olhando de canto de olho para os feitos arrojados da filha com um misto perturbador de sentimentos, admiração e amargor por perceber que seu tempo de se atirar na vida já passou. Provavelmente entrou naquela fase conformista da vida em que acha que deve se acomodar num casamento, mesmo que infeliz, mas estável. Profissionalmente já não vislumbra nenhum grande salto. O resultado é que mesmo contrariada e envergonhada sente a filha como um eclipse psicológico na casa. Até seu marido, pai da menina, parece brilhar os olhos para a filhota como pai orgulhoso que é de um jeito que já não olha para ela.

Portanto, a mãe vê uma felicidade em potencial na filha que ela já não tem. E como nega a inveja que sente acaba tentando compensar esse sentimento com uma proteção e proximidade exagerada. Tenta fazer como aquela amiga mais feia que se aproxima da menina linda para pelo menos sentir um pouco do calor social que é estar perto de uma pessoa popular.

Nessa manobra arriscada a mãe acaba ficando ainda mais embaraçada, pois se sai com a filha constata ainda mais que o mundo de possibilidades da filha é realmente maior que o seu. Dali para a frente a amizade mãe e filha entra em crise, pois a inveja velada se mostra em forma de regras sem sentido e brigas por conta de namoradinhos. Apesar de todos perceberem a rigidez totalmente desnecessária ninguém ousa pensar na hipótese clássica de competição entre mãe e filha.

Provavelmente a filha irá perceber isso muito tempo mais tarde depois de ter mascarado para si mesma esse boicoto constante da mãe para ver a filha voar longe. Aí nasce um tipo de dinâmica própria entre as mulheres que é passado de geração em geração. Todas reféns de uma teia invisível de mal-estar. A inveja sempre tem a ver com a promessa de liberdade, naquilo que poderia ser, mesmo que não seja, portanto, não importa se a outra mulher é realmente melhor ou não, desde que seja na cabeça daquela que se percebe mais passiva na vida.

Pessoas emocionalmente mais realizadas tem menor propensão em cobiçar o bem alheio já que estão degustando com mais liberdade o seu prato saboroso.

Se uma mulher, portanto, quiser se libertar da própria inveja precisa dar um passo muito mais ousado na própria vida que é superar suas próprias barreiras e limitações emocionais.

________

No dia 3 de junho falarei desse e outros temas do universo masculino e feminino e sobre as 8 principais barreiras emocionais que ambos enfrentam no dia-a-dia Inscriçoes até dia 3 de junho.[clique aqui]

About the author

Sonhador nato, psicólogo provocador, apaixonado convicto, escritor de "Como se libertar do ex" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão e lava pratos.

Related posts

  • Marceli Gonçalves

    Acabei de escrever algo parecido com isso e fiquei muito surpresa de como minhas ideias batem com as suas. Parece que isso é tão claro que apenas a observação revela. Gostei muito do seu artigo.