Pare de bater punheta!

Sabe que a coisa que mais me aborrece nas conversas informais?

Vejo pessoas batendo punheta.

Sim, punheta. Prazer solitário e autocentrado.

Será que ele está me ouvindo?

As pessoas não querem conversar, mas ficar numa tremenda masturbação egóica.

Elas oferecem ajuda, mas caso você não aceite isso é um problema.

Elas pedem uma sugestão caso você desagrade elas se ressentem.

Você quer desabafar algo? Elas contam uma desgraça maior que a sua.

Elas não estão ouvindo realmente o que você está dizendo, mas apenas aguardando o momento de falar a sua opinião brilhante.

Os silêncios não existem

As pessoas querem conversar só para confirmar suas opiniões sobre o mundo. Contrariadas? Jamais, isso é um crime.

Outra coisa que me incomoda é que nessa punheta, não há troca realmente. Elas ficam falando de assuntos que não sabem e com propósitos indefinidos.

Emitem opiniões generalizadoras sobre tudo, destilam julgamentos venenosos sobre realidades que nunca sequer viveram.

Tudo um pouco raso. Não quero dizer com isso que não se deva fofocar ou falar mal dos outros, mas quando estiver tratando de um assunto sério não use argumentos de revista Caras.

Ainda nessa punheta, não diga o que não está sentindo de fato. Seja o mais honesto possível. Sem jogos tolos, exponha emoções  ainda que te deixem frágil ainda são mais reais do que os jogos…

Seja gentil na sinceridade, proponha caminhos. Seja amplo na crítica e não despeje julgamentos soltos.

Acima de tudo, me ajude a gozar junto, me inspire, desafie, estimule, faça meus olhos brilharem.

Enfim, pare de bater punheta! É bom? Sim, mas faça sozinho, comigo me faça participar. Não vou ser sua platéia.

*

Esse é o primeiro da série PARE

Os próximo serão o Pare de drama emocional

Pare de reclamar

Pare de ajudar

Pare de (se) justificar.

Pare de (se) machucar

Pare de (se) corrigir/consertar

Pare de (se) controlar

Pare de (se) acusar

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About the author

Sonhador nato, psicólogo provocador, apaixonado convicto, escritor de "Como se libertar do ex" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão e lava pratos.

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  • Grande Fred !

    Ah cara que papo merda.
    Eu quero provar que sou importante.
    Quero provar que tenho opinião, sou superior.
    Se tiver mulher em volta , ai é que eu quero abrir a boca!
    Quero mostrar que eu sou o foda !
    Quero mostrar que sei mais do mesmo pra todo mundo !
    Além disso minha insegurança vai falar mais alto sempre.
    Aí eu não consigo ficar calado,certo ?

    Pra que escutar o outro cara ?
    Ele provavelmente pertubará o mundo que eu demorei pra criar.
    Não quero sair do meu trono.
    Pertubação causa mudança e mudança exige esforço.

    Esforço … Vamos mudar de assunto ? Essa coisa de esforço e mudar é um papo chato !

    Cara, nesses papos eu vou embora ! Hahaha
    É meio filha da putisse, mas não tenho paciência pra ficar escutando papo furado.
    Não me acho superior a ninguém , só acredito que as pessoas podem oferecer mais nas conversas.
    Só precisam acordar pra isso.
    E eu também preciso. ;D

    • Belas reflexões, mas por mais que eu pareça reacionário no texto, por incrível que pareça eu tenho uma paciência grade com qualquer assunto…
      Abs

  • Engraçado é que sem a “punheta-de-prosa” restaria MUITO pouco a se falar com a maioria das pessoas. Percebendo isso vejo como nós mantemos relações infrutíferas ou que simplesmente não existem (ou não que não queríamos?)

    Eu recomendo que vejam o filme CLUBE DA LUTA que aborda muito isso de ser ouvido e quebra do superficial.

    E outra: Quem bate muita punheta não tem ânimo na hora H. Traduzindo: Cão que ladra não morde/quem fala muito, pouco faz e centenas de outros ditados.