A farsa da Autoestima

Toda a vez q alguém fala sobre AUTO alguma coisa eu fico um pouco receoso.

De quem são essas mãos que acusam?

Por exemplo AUTOestima, não tem conceito mais estranho que esse.

Amar e estimar a si mesmo? Isso implica que tem um EU que ama a um outro EU mesmo que é amado?

Parece que esse pensamento denuncia um fenômeno peculiar da baixa autoestima existe um EU que é baixo e um EU que denuncia e acusa aquele como inferior. Quando me sinto mal comigo mesmo quero dizer que tenho um conflito entre um EU percebido e um EU ideal que é comparado com um modelo externo ao EU.

O EU rebaixado não se sente com valor para ser reconhecido pelo outro EU analisador.

Duas coisas estão implicadas ou o EU rebaixado tem agido de modo restrito e limitado ou o EU analisador é excessivamente rigoroso, implacável, pouco complacente e amoroso.

Como mudar esse quadro?

De três formas

  1. Adequar os valores estimados pelo Eu analisador

Será que as ideias de sucesso pessoal devem ser levadas tão à sério?

Somos um grande mosaico de percepções alheias embutidas em nossa mente. Lembre das primeiras coisas que falaram a seu respeito: “Ele é tão esperto, já sabe desenhar!”, “Você percebeu que ele foi pra escolinha e nem chorou?”, “Acho que ele não gosta de fazer muitos amigos”, “Só podia ser libriano”, “Puxou o pai, olha o gênio de cão dele!”. a noção de identidade própria é uma névoa que se confunde com outras imagens difusas, misturadas e emprestadas dos outros.

Se o garoto sentiu um impulso espontâneo de falar com uma garota lembra do que a mãe falou “ele é tão tímido” e imediatamente aquele sentimento se frustra e ele recua. “Confirma” a impressão da mãe e vai cristalizando imagens ao seu redor.

Com isso vai se fechando numa bolha de percepções emocionalmente tóxicas de si mesmo e sente que carrega um gambá no bolso. Portanto, os valores pelos quais está se baseando são frutos de vozes dos pais que refletem o prestígio ou falta dele que a criança experimentou na infância. Você não precisa ter um EU vitorioso para ser amado, pois quando nasceu você apenas foi amado porque existia.

Relativizar os valores.

 

2 – Oferecer práticas e amor ao EU rebaixado para que ganhe valor pessoal

O EU rebaixado provavalmente está se sentindo desprestigiado e pouco amado como gostaria.

É preciso fazer coisas concretas que quebrem esse ciclo vicioso, de preferência coisas que sejam admiráveis para si mesmo. Fazer atividades que realmente ofereçam vitalidade, energia fluindo, sorriso nos lábios, olhos iluminados e postura ativa.

Com o tempo as pessoas construirão imagens diferentes ao seu respeito porque você causou um impacto muito positivo sobre elas. Esse novo mosaico de percepções externas internalizadas em você irá se alterar lentamente e uma nova imagem será formada.

Realizar coisas louváveis

3 – Ensinar o EU analisador a ser mais amoroso e compassivo.

Se o EU analisador for impiedoso é preciso treiná-lo com categorias de valoração diferentes das usuais. Ao invés de cultivar a restrição de um sucesso baseado na supremacia sobre os outros poderá investir também na compaixão pelas outras pessoas. A generosidade cultivada dará lugar à carência exagerada por estar sempre esperando as melhores condições para agir.

Compartilhar a vida para que o fluxo se expanda.

Sob essa perspectiva deixei claro que a melhora da autoestima é essencialmente um crescimento com os outros e para os outros até que a ideia de se depreciar não faça mais sentido.

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About the author

Sonhador nato, psicólogo provocador, apaixonado convicto, escritor de "Como se libertar do ex" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão e lava pratos.

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  • Pedro

    Finalmente alguem escreveu com precisão o que se passa comigo e outros egolatras mimados da mamãe.
    Conflituoso mesmo é tomar consciência dos proprios vicios emocionais, é nessa hora em que nossa imagem no espelho não revela mais a pessoa pensavamos que eramos.