Joguinhos amorosos não têm vencedor

Por Eduardo Amuri*

Diversas vezes me pego participando de um jogo velado, silencioso e incômodo. Com vontade de ligar, não ligamos. Com vontade de admitir “Estou envolvido até o pescoço”, não admitimos. Loucos de vontade de repetir o programa da noite anterior, não convidamos.

Ninguém me avisou qual era a hora de correr...

Relutamos em responder. Se dermos o passo e formos atrás, o outro se acomoda, pensamos. Se cedemos e buscamos pelo outro, não temos o gostinho (curto e falso) de ter o outro na mão. Ficamos com a impressão de que não nos valorizamos, nos sentimos diminuídos.

Quando o outro vem atrás, cedendo, finalmente sossegamos, repousados na ilusão de que agora, finalmente, vencemos e estamos conduzindo a relação. Cegos, somos incapazes de enxergar que a única coisa que ganhamos aí foi um parceiro mais inseguro, menos atraente. O ônus é todo nosso. Longe de convenções casamenteiras e convencionais, relações devem somar, fazer de nós pessoas melhores, mais interessantes, menos incompletas. Portanto, ganhar esse jogo é total contra-senso.

Talvez sirva para relações rasas, passatempos, mas logo cai. E cai feito bola de neve, criando abismos cada vez maiores, a cada vez que a birrinha ganha. São pequenos términos, que acontecem dia após dia. Se o outro não ligou ontem, nós é que não vamos ligar hoje, pensamos. Falta lucidez para enxergar que o outro está num redemoinho de confusões, exatamente como nós. No fundo, não queremos vencer no jogo, queremos ser felizes. Em um momento de surto, nos enganamos e achamos que seremos felizes vencendo.

Mas aquela fase boa da conquista?

E aquela expectativa saudável?
E aquele espaço que é mais que necessário? Ele surge naturalmente. Temos uma capacidade incrível de criar situações, de imaginar vácuos onde eles não existem e de achar que o pensamento do outro está “aqui”, quando na verdade está “alí”. E isso basta. Não precisamos do jogo proposital e orgulhoso. Pensar “eu corro mais atras que o outro” é uma pequenice, um lapso da nossa mente querendo ser feliz a todo custo. Somos todos livres, vivendo uma maluquice sem tamanho, tripulando um pedaço de pedra gigante que vaga por aí.

Melhor cultivar uma vida interessante e com propósito, e deixar que as dinâmicas se estabeleçam naturalmente. Os espaços e as expectativas surgem desse cultivo. Ao priorizar nosso próprio horizonte, indiretamente beneficiamos nossas relações, mesmo que aparentemente eles não apontem exatamente para a mesma direção. Todos querem estar do lado de pessoas que sabem para onde estão indo.

Parcerias são infinitamente melhores que namoros.

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*Eduardo Amuri – Computeiro, apaixonado por cultura, empreendedorismo, música, finanças, viagens e pessoas. Devoto assumido dos bons amigos, apega-se facilmente e está para o que vier. Extremamente dedicado e persistente, é membro honorário e participante ativo do grupo dos que tentam abraçar o mundo. Jura que um dia deixa disso. Ou não. Escreve em seu blog e no Twitter: @eduardoamuri.

 

 

 

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About the author

Sonhador nato, psicólogo provocador, apaixonado convicto, escritor de "Como se libertar do ex" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão e lava pratos.

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  • Camilla Albani

    Muito bem colocado, Eduardo! Por mais que tudo que escreveu é bem claro, muitas vezes nos pegamos “caindo” neste tipo de comportamento nada saudável para nosso relacionamentos, ao invés de tentar dar o nosso melhor e viver algo mais gostoso para ambos.
    O que eu fico me perguntando é de onde esse negócio de “fazer joguinho” surgiu (será que já era assim na época de nossos avós?), será que é da cultura/essência do ser humano ser assim? Ter que se sentir “no controle” para acreditar que vai ser mais feliz?! Parabéns pelo post! Bjs

  • anon

    Concordo em partes, somos pessoas imperfeitas e acho q controlar nossos impulsos ansiosos e não ficar ligando pra pessoa demais por exemplo é muito benéfico!!! Nem tudo é jogo, mas sim agir c/ a razão…

  • Concordo total,sem tirar e nem por. Acho que todo mundo tem essa insegurança e esse medo de sair por baixo,mas com o tempo,com o amadurecimento essa coisa vai sumindo,a gente vai acordando que pra ter algo é simplesmente ir la e pegar,e dizer,e ir atras.
    Perfeito o texto (:

  • Lia

    “eu corro mais atras que o outro”
    eu tenho essa impressão no meu namoro, as vezes deixo de ligar quando tenho vontade pra que ele venha atrás, se nao vier entristeço achando que ele não está muito aí para mim ou para o relacionamento, se vier, ligar ou simplesmente mandar uma msg, já me conforto.. como lidar com isso???? É somente impressão e neura???

  • Luiza

    O problema é q muitas vezes não é jogo, é desinteresse mesmo.