O romantismo pode ser a coisa menos romântica do mundo

A ideia que se faz de romantismo normalmente carrega em sua origem uma semente do mal. Essa visão pode minar qualquer relacionamento à longo prazo.

No inconsciente o romantismo precisa ser como um nado sincronizado: simplesmente perfeito.

A noção de beleza, vitória, superação e surpresa que se espera do romantismo é bem diferente naquilo que entendo sobre a vida.

Antes que se diga que a mulher não espera algo perfeito do seu homem vou dar 3 indicativos que isso não é verdade.

No filme clássico “Uma linda mulher” você percebe o ar sofisticado, bem posado e luxuoso que aquela garota é introduzida. As mulheres se encantam pela maneira cuidadosa que ele a faz ficar confortável naquele mundo de riqueza. Mas não me lembro de nenhuma cena em que ele passa mal, vai ao banheiro ou comete uma gafe.

Quase um sonho...

Uma pessoa me revelou certa vez que foi passar o primeiro final de semana com a namorada nova. Foram para uma praia deliciosa e ele arquitetou cada movimento para que nada perdesse o brilho.

Tomaram uma sopa de palmito que parecia deliciosa. Foram para o quarto um pouco cansados da viagem e dormiram logo. De madrugada ambos foram assaltados por uma dor intestinal insuportável. Quase que simultaneamente os dois tentaram correr para o banheiro. Ele vomitou e ela teve uma disenteria. Dividindo o mesmo espaço eles se revezavam entre vómitos e fezes literalmente. Mal um saia do vaso o outro ocupava o lugar. A cena não foi nada agradável.

O que fazer, então?

Outro filme tão bem cotado entre as mulheres “Diários de uma paixão” existem cenas lindas. Ele é um homem mais rústico e ela uma donzela com muito dinheiro, paixão impossível. Eles lutam contra o tempo, a sociedade e o preconceito. Ambos se distanciam, se ressentem e finalmente ao se encontrar passam o resto da vida juntos até que o morte os levasse.

A beleza do filme que impressiona a mulher é a capacidade resiliente daquele homem de persistir, retornar e tentar infinitamente ficar ao seu lado. Inclusive quando ela está doente, velha e senil.

A chuva é gelada pessoal

É estranho notar que na realidade o cenário se mostra diferente, pois ninguém quer se imaginar catarrando perto de alguém que se ama. Flatulência, nem pensar. Se uma alface estiver presa no dente, tudo ainda mais constrangedor. A morte, a doença e amor parecem temas um pouco incompatíveis no mundo real. Não há muito heroísmo ao lidar com uma pessoa com Mal de Alzheimer levando em consideração tudo o que se passa ali.

Certa vez meu avô que estava ficando com a mente confusa acusou minha avó de estar entrando no quarto de um rapazinho que andava sem camisa pela casa. Ele a acusou de ser uma vagabunda sem coração. Mal sabia ele que o rapaz era eu. Minha avó ficou muito magoada e me contou isso. Eu brinquei com ela: “se a senhora fosse mais nova, até dava um caldo, vó!” Ela gargalhou e esqueceu o assunto. Mas isso não é muito glamouroso de olharmos de perto.

No último filme que eu comento é outro clássico “Dirty Dancing” em que aquela menina um pouco insossa é arrebatada pelo dançarino cheio de firmeza na mão e ginga no pé. A diferença de status social deles incomoda muito os pais dela que se opõe desde o começo àquele envolvimento. Isso só “muda” depois da cena final em que eles dançam lindamente para todos.

Ela se sente voando ao lado dele...

Agora venha cá um pouco e me diga: você abriria mão de uma mansão no Jardim Europa para morar num lugar mais simples só porque o cara é um ótimo dançarino? Faça esse checklist 39 itens do seu checklist amoroso

Não estou dizendo que mulheres ou homemns devam ser interesseiros, mas em anos de convívio basta o amor e uma cabana? Nos primeiros 3 anos sim, mas aguarde um pouco mais de tempo para ver se isso se sustenta.

O dançarino do filme nunca tropeça, escorrega de verdade. Sua postura é sempre resoluta, mesmo quando briga ou tem que lidar com uma situação difícil.

Será que uma pessoa admiraria um homem que de tanto medo diante de um assalto urinou nas calças? Em tese todos responderam que sim e darão mil exemplos de que já suportaram e superaram coisas piores.

Mas sou partidário de um romantismo que dá espaço para desastres: que escolha a música errada para tocar no carro no primeiro encontro, um jantar que as velas podem não acender e que o pinto tenha o direito de não subir. Quantas vezes já me perdi de carro mesmo com meu GPS ligado(minha orientação espacial fica ainda mais prejudicada quando estou emocionalmente envolvido).

Gostaria muito de ouvir a opinião de vocês seja pelo Facebook ou aqui. Mas de preferência sejam honestos e não usem aquele tom que diz que no amor tudo vale a pena e se suporta, consultem seus corações e vejam se no fundo não iriam preferir a dança aqui de baixo…

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About the author

Sonhador nato, psicólogo provocador, apaixonado convicto, escritor de "Como se libertar do ex" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão e lava pratos.

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  • Deusirene

    Houve um tempo em que acreditei que o amor fosse suficiente. Mas, a vida me mostrou que não é. Há outras variáveis (talvez não tão intensas quanto ele) que devem ser levadas em consideração. A vida prática exige mais do que só amor…

  • A origem da palavra “romance” e suas variações tem um significado engraçado: Geralmente é algo fantasioso, fictício; Não é a toa que temos os Romances, obras fantasiosas que retratam um possível (ou impossível haha) amor com algum impedimento.
    Você vê os sentimentos, sensações que a palavra romance traz? De algo realmente platônico! Romance, Romantismo… são “palavras gastas” carregadas de surrealismo, portanto temos sim que tomar cuidado.
    Deveriam existir mais denominações para romance. Por exemplo um ‘romance-pé-no-chão’: É esse que você falou, carregado de erros, gafes, GASES, diarréias, broxadas épicas – e tudo isso acompanhado de boas risadas. Sinto que ai sim teríamos um verdadeiro romance.
    Esse romance perfeito nós temos que deixar para os românticos do século XIX e veja vocês que infelizes estes eram nos seus escritos; sempre morriam, sempre se davam mal em busca da virgem perfeita.

    Maravilhoso o Post, como sempre! Grande abraço!

  • Vivian

    A grande maioria desses filmes se limitam a perfeição de um relacionamento. Talvez porque na vida real os desastres e os “erros” são praticamente uma certeza. Os filmes buscam exatamente fugir dessa realidade,é uma idealização( por isso os cinemas estão lotados). Cabe a nós, como espectadores, percebermos isso. Querer que nossos relacionamentos do lado de cá, sejam semelhantes aqueles da tela do cinema é uma insanidade – não temos roteiros preparados!. Mas isso não significa que nossa vida seja menos romântica! Aliás, acho que só o fato de ser real e não ensaiado já torna nossa vida mais romantica!!!! Ora, desastres podem ser extremamente romanticos, só depende da maneira que você os enxerga.

  • Priscila Citera

    Eu sou uma pessoa romântica, mas estou aprendendo a não romantizar mais a vida e as relações para não me frustrar. Sem expectativas, sem decepção.
    Realmente o amor romântico é prejudicial. É horrível esperar o príncipe encantado num cavalo branco e ter que se contentar com o lobo mal que anda a pé.
    Eu aprendi a não esperar pelo homem perfeito quando percebi que não sou perfeita. Quero alguém que aceite os meus defeitos como vou aceitar os dele. Aceito um príncipe que seja metade sapo, desde que ele não exija que eu seja uma princesa o tempo todo…