A farsa da Insegurança

 A maioria das pessoas que vem procurar terapia alega um motivo simples, aparentemente comum e até inofensivo, são inseguras.

Quase um ursinho...

Andei fazendo algumas contas por baixo e cheguei no número de quase 9 mil e 500 horas de atendimento clínico nesse tempo de trabalho e deduzi uma conclusão ao ouvir atentamente o relato dessas inúmeras pessoas “inseguras”: insegurança é última coisa que elas tem.

Quando são rebatidas nessa afirmação elas insistem e me dão incontáveis eventos que comprovam quão inseguras elas são.

Alegam que não conseguem tomar decisões, que hesitam em cada ação tomada, que querem recuar depois do passo dado e que no fundo nunca sabem qual a direção de suas vidas.

A sensação de insegurança que atestam é sempre proporcional à uma vida regrada e cheia de condições ideais que buscam em cada acontecimento.

Elas nem notam que no fundo são rígidas e inflexíveis e não inseguras.

Determinadas a levar um tipo de vida que beira o purismo absoluto sofrem do mesmo mal que os tímidos, só entram no jogo para ganhar e ter sucesso (ainda que não assumam isso).

Sua insegurança é fruto da ideia que a segurança se conquista com estabilidade e segurança plena em todas as áreas da vida. Elas buscam uma segurança pautada em constância, previsibilidade e garantia de que nada desabará ou terá o menor risco de prejuízo.

O resultado final é que permanece totalmente paralisada em qualquer área de sua vida sempre questionando as múltiplas possibilidades que poderiam ter sido e não foram.

Aliás, esse excesso de conjecturas sobre realidades paralelas é o que mais amaldiçoa a pessoa “insegura”, pois nesse universo cada detalhe se encaixa e produz um bem-estar incrível.

Se o inseguro fosse menos exigente e mais aberto para as surpresas da vida comum haveria alguma chance de sua vida começar a seguir em frente. Enquanto tentar antever e se poupar de todos os eventuais contratempos a resposta que alcançará é a mesma: nenhuma.

Então, ao contrário do que pensa você não é inseguro, mas sim “metido à besta”.

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About the author

Sonhador nato, psicólogo provocador, apaixonado convicto, escritor de "Como se libertar do ex" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão e lava pratos.

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  • Eduardo

    Por favor Frederico, preciso de um favor, você pode me enviar um e-mail me dizendo como adquirir seu livro? Minha esposa e eu queremos muito lê-lo.

    Agradeço…

    Eduardo Rodrigues

  • Artur

    Muito bom o texto !! Nada como um texto enxuto e sem preocupações com o puritanismo técnico, é claro que os psicólogos vão achar diversas outras causas possíveis, mas o importante é que vc fala sem enrolação da um caminho principal ao raciocínio. Brother, o pessoal da área de saúde se transformaram em expecialistas em respostas mistas e paralelas e diversas possibilidades, isso é bonito na física quântica, no dia a dia as pessoas precisam de um caminho a tentar, se nao der tentamos outro, e assim vamos crescendo.
    Parabéns pelo site / blog!