“Você não vale nada, mas eu gosto de você!”

Quantas vezes você já se viu apaixonada por alguém que fez muito mal a você?

Ele estava pensando em outra mulher

Se eu fosse fazer uma pesquisa de opinião aposto que o resultado seria o poema do Carlos Drummond de Andrade.

João amava Teresa,

que amava Raimundo,

que amava Maria,

que amava Joaquim,

que amava Lili,

que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.

Notem que a única pessoa que casou foi aquela que não amava ninguém? Todas as demais se interessavam por pessoas complicadas. Analisemos o poema.

Se João amava a Teresa que foi para o convento eu imagino quantas vezes ele tentou falar com ela, convidar para sair, beijar e transar. A cada frustração João decidindo partir para os EUA.

Já Teresa gostava do Raimundo que morreu de desastre. Pessoas que morrem de desastre (se não for uma fatalidade) costuma ser por conta de bebedeira, distração ou briga. Raimundo era um cara explosivo e cheio de opinião forte, dominador e barraqueiro, se meteu em confusão e teve seu fim. Teresa, moça frágil tinha que ficar correndo atrás daquele brutamontes cavalo que só dava coice nela.

Raimundo gostava da Maria que ficou para titia. Maria era uma mulher ressentida com a vida e amargurada com os homens, especialmente com Joaquim, que nunca dava atenção para ela. Esse desgosto a incomodou tanto que não abriu espaço para ninguém se aproximar.

Joaquim era homem amargo, sempre reclamando de tudo. Achava que sua vida era um desastre e nunca conseguia achar virtude em ninguém. Sua desesperança e mau humor afastavam a todos. Se apaixonou por Lili que era uma menina tão doce que não queria que aquele poço de pessimismo se aproximasse dela.

Notaram como os motivos são diversos? Mas o que une a todos? Aquela sensação de impossibilidade. E todas as pessoas que queriam uma outra pessoa viam uma força e virtude no seu objeto de adoração que elas não possuíam. Pessoas de vontade fraca que esperavam grandes mudanças à partir da reciprocidade de outra pessoa. “Se ela a quem eu tanto idolatro me amar, aí sim serei importante”. Grande engano.

Certa vez li um psicanalista dizer que as pessoas que amam pessoas impossíveis no fundo não a amam, mascaram a inveja em forma de amor. Pois logo que conquistam perdem o interesse. Típico da inveja.

Essa sensação de ser desprezado, maltratado e abandonado cumpre um ritual interno masoquista: “só sou amado numa relação de dominação-poder-submissão”.

Essa passividade sofrida dá um contexto para um sentimento primitivo e infantil em relação aos pais. Reencena a imagem da criança excluída do amor deles.

Esse apelo poderoso é que mantem uma pessoa ser maltratada, humilhada, abandonada permanecer numa relação. No fundo ela quer voltar a ter o controle da situação. Não larga o osso por orgulho e não por falta de amor próprio. No fundo, também quer submeter a pessoa “amada”. Sair da condição de inferioridade para dar suas chibatadas.

 

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Sonhador nato, psicólogo provocador, apaixonado convicto, escritor de "Como se libertar do ex" e empresário. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, faz dança de salão e lava pratos.

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