O que falar para alguém que está prestes a morrer?

* Por Frederico Mattos

Interrompi meus posts usuais para responder a esse e-mail que me chegou hoje cedo.

Nós achamos que estamos longe disso!

“Olá Fred,

Já que a Dona M. tomou coragem e confessou que nunca amou o marido de 30 anos eu tomei a liberdade de mandar esse e-mail.

Enviei logo cedo após receber meus remédios para que você pudesse ler logo que acordasse. Espero que não se importe.

Estou há uma semana internado num bom hospital e entre um mal-estar e outro tenho lido seu blog. Logo que me internei um amigo me disse: acho que agora é hora de pensar sobre a vida. Sou viciado em tecnologia, peguei meu iPad (foi a única coisa que pedi que os médicos não me tirassem) e digitei no Google “sobre a vida”. Surgiu seu blog e confesso que pensei “mais um blog de merda falando blábláblá”. Não dei confiança, mas depois de não achar nada muito interessante voltei ali.

Tenho 28 anos, minha barba cultivada com gosto para que eu aparente mais idade está caindo, isso me aborrece.

A questão que me intriga é que vou morrer e não sei o que fazer diante da morte. Vou morrer em breve, talvez eu não receba sua resposta. Claro que não estou pendente disso para morrer (isso está infelizmente fora de minhas mãos), mas filhadaputamente o padre que veio me visitar e não gostei do que ouvi. Sei que ele trouxe palavras bondosas, mas tão vazias de real sentido para mim que aproveitei que eu estava vomitando que nem um desgraçado para enxotar aquele velho de batina. Minha doença me consome rapidamente e não acredito em nada para além desta vida, nem preciso acreditar. Sou ateu (o máximo de fé que tenho é fazer figuinhas, pois mamãe me ensinou e lembro dela quando faço) e sinceramente não me culpo por isso.

Tive uma vida cheia de acontecimentos, aproveitei tudo mesmo, sem exageros ou excentricidades. Minha doença é um tipo de problema genético, raro e fatal. Os médicos não afirmam nada (eles sempre estão um pouco emburrados), mas já pesquisei na internet e realmente acho que vou bater as botas mais rápido do que eu queria.

Fiquei pensando o que você, como psicólogo, teria a dizer para alguém que tem algunas horas ou dias de vida ainda pela frente? Se eu não conseguir ler a resposta espero que ajude alguém nas mesmas condições ou que ajude qualquer um.

Abraço,

R.”

Caro R.

Acho que não estou em posição de aconselhar alguém que está em uma condição única e porque não dizer privilegiada como a sua. Sim, privilegiada. Estar diante do próprio fim e fazer a pergunta certa não é tão simples.

Já que você digitou no Google SOBRE A VIDA, vou falar algumas coisas que penso sobre a vida. Espero que sirvam.

Na vida eu finjo que não tenho medo da morte faz muito tempo. Eu tenho construído um castelo de certezas, de virtudes e de sentido para simplesmente negar o fato de que vou morrer, assim como você.

Na vida vi que todas as amizades que tenho são para me deixar menos sozinho comigo mesmo. Além disso evitar saber que tudo irá acabar de um momento para o outro. Mas elas dão um colorido diferente para o passar dos anos. Algumas valem a pena cultivar, outras são passageiras e deixam uma marca, algumas temos o dever moral de levar para a vida inteira.

Na vida não tenho certeza de nada e noto que a maior parte das pessoas não tem. Mas não perdemos a irresistível atração em fingir que sabemos de tudo. Antes eu ouvia os bons conselhos, agora duvido deles. Sempre me parecem demasiado polidos ou conservadores. Como aquelas tias velhas que tem medo de atravessar a rua e recomendam que você não faça o mesmo.

Com as críticas ainda tenho dificuldades, confesso que quando me dizem que sou metido a sabichão ainda fico meio doído. Acho que é pelo fato de que a pessoa ainda não me conheceu de verdade e me julga pelas minhas defesas. A prepotência que me resta é só um jeito falsamente forte que encontrei para que eu não seja inundado pelo mar de amor que sinto, mas me fragiliza.

Pelo visto você é uma pessoa que foi agraciada pelo bem estar financeiro. Isso é excelente, com o tempo aprendi que o dinheiro pode ser um grande amigo de boas realizações. Que ele é a chave mestra que reflete o fruto do meu trabalho e que me abre portas para conhecer coisas que eu nunca poderia sem ele. O dinheiro não é meu inimigo e nem meu amigo, apenas um cúmplice daquilo que quero ser. O meu dinheiro sou eu em forma de notas. O dinheiro de cada um reflete o que a pessoa é.

Também me parece que você é muito amado pelas pessoas. Essencialmente cercado de pessoas boas que te recomendam no momento mais difícil que pense sobre a vida. Isso parece que é a grande fórmula para viver e morrer feliz. Nos cercamos de muitas pessoas que nos fazem mal, nos colocam para baixo e subestimam nossa capacidade. Elas querem nos ajudar de um jeito que reforça nossa infantilidade e passividade na vida. Com o tempo procurei selecionar as pessoas do meu convívio. Conheci amigos maravilhosos, terminei relacionamentos que me faziam mal e cultivei bons hábitos como me encontrar sempre que possível com as pessoas que eu amo. Meus livros que eu tanto adorava ler com exclusividade absoluta agora estão um pouco de lado. Ainda os amo, mas livros sem pessoas são apenas folhas sem sentido. O verdadeiro livro que sempre quis escrever já está sendo escrito no longo dos meus dias. Acho que o seu livro não-publicado deve ter excelentes páginas e narrativas memoráveis. Deixe que isso te alegre, inclusive agora.

Com o tempo eu percebi que a cereja do bolo da minha vida não foi composta de grandes eventos ou celebrações. Mas foi no tecido invisível dos minutos discretos que ninguém reparava. Eu sempre soube que aqueles pequenos gestos de gentileza é que realmente fazem a diferença. Acordar um pouco mais cedo para dar a mão para uma pessoa. Levantar da cama antes e pegar o copo d’água. Consolar uma lágrima que não foi anunciada. Pequenas coisas pelas quais você não vai ganhar nenhum prêmio ou recompensa e ainda assim devem ser feitas.

Meu caro R. tenho medo, muito medo de tudo. Medo de falhar, fracassar, decepcionar, fraquejar, deprimir até parar com tudo e ficar maluco, as vezes enfrento dias difíceis (na minha cabeça) que penso que não vou aguentar. Mas administro esse medo da seguinte maneira, sei que são apenas medos, nada além disso. Um jeito meio menino de fantasiar as coisas maiores do que realmente são só para que depois eu brinque de super-homem. Afinal quanto maior meu obstáculo, mais eu acho que fui invencível na superação.

Hoje tenho rido muito mais de mim, sou um desastrado. Não sei cortar uma melancia sem sujar toda a pia e ela ficar parecida com um leque torto e feio. Me perco no transito, mesmo com GPS. Falo coisas fora de hora. Confesso meu amor antes do tempo. Tolero coisas intoleráveis por mais tempo que devia. Sou um bobo incorrigível. Mas, afinal, essa é a versão improvisada de mim mesmo, sei que com o tempo esse eu de hoje será uma lembrança pálida no eu de amanhã. Então rir de mim me ajudou a não me magoar tanto ou me levar tão à sério), afinal todos somos rascunhos da vida. Perdidos como ratos pelados.

Lidar com pessoas sempre foi um desafio para mim. Sou sensível ao extremo, um sorriso me levanta e um olhar de desaprovação me derruba. Comecei a entender, a duras penas que não posso ter controle do que os outros sentem por mim. Se você me odeia problema seu, se me ama também. Pode parecer uma visão radical ou uma fala grosseira. Mas se pudesse me ouvir agora dizendo isso seria com uma voz doce e com sorriso nos olhos. O ódio que sente por mim é responsabilidade sua, o amor que sente também. O máximo que posso fazer é dançar em volta do seu coração até que seu ódio se acalme e me veja humano (com o que tenho de bom incluído) e seu amor se consolide e me veja humano (com o que tenho de pior incluído).

Acho que o mais difícil de morrer deve ser imaginar que não veremos mais aqueles que amamos. Quando trabalhei com pessoas com câncer (doença nem sempre rápida e fatal) aprendi que a melhor despedida acontece com as relações que foram mais completas e sem falsidades. Se tivemos uma relação truncada, conflituosa e cheia de pendências o luto é mais difícil. Nesse momento tente diminuir as suas pendências e diga o que vem no fundo do seu coração para os outros. Não hesite, você não tem mais nada a perder. Literalmente.

Posso dizer que o amor e o trabalho sempre me guiaram. Mas sei que o amor é um enigma. Hoje me parece muito mais um grande campo em que muitos eventos acontecem por ali. Toda a vez que tentei cercar demais a pessoa amada ela se foi, deixar ela pra lá em demasia também não funcionou. A melhor garantia que posso oferecer hoje é que onde eu estiver estarei ali.

Já fique muito preso ao passado e tudo o que não funcionou ali. Também já fiquei afoito para que o futuro chegasse logo e ele nunca chegou quando eu queria. Então decidi colocar o rabo no meio das pernas e viver aquilo que eu consigo hoje. As vezes minha cabeça me engana e tenta me sequestrar para frente ou para trás. Então eu digo para minha mente “ei, dá uma olhadinha nesse momento entediante, podemos fazer algo com isso, que tal?” e numa fração de segundos a minha mente faceira corre para brincar comigo no presente de novo.

Sou tão jovem quanto você, então não encare como presunção tudo o que eu disse. Posso garantir que existem vidas muito mais interessantes que a minha para você tomar por exemplo. Minhas grandes vivências aconteceram mais no fundo do meu coração do que na vida concreta. No entanto, foi a vida que me coube viver e que me satisfez até agora. A sua vida é a melhor que você pode viver, olhe com compaixão por ela, nada acrescente nela e muito menos mutile. Tudo ali é do tamanho que devia ter. Até sua barba que se despediu de você.

Quando olhamos uma vela temos a ilusão de que ela irá apagar quando a cera chegar ao fim. As vezes acaba antes, outras a luz continua depois. No seu caso, sua vela está te surpreendendo, em alguns minutos. A minha pode me surpreender, assim com todas as pessoas que amamos. Estamos no mesmo barco.

Minha curiosidade (mal que não quero tirar de mim) vai me dizer para que dê um retorno caso tenha conseguido ler. Sei que os leitores do blog vão pedir o mesmo. Então se puder, mande um sinal de fumaça. Sei que esse texto vai ajudar mais quem ficará vivo (ou finge que está vivo como eu) por um pouco mais de tempo que você. Mas se te ajudar em algo, já fico mais que satisfeito.

Ah, se eu pudesse falar uma última coisa seria morra o mais vivo que puder

Um abraço meu caro, longa vida enquanto ela existir!

_____________________

Vou fazer o update do que aconteceu no dia de hoje:

Meu irmão pediu que eu enviasse esse e-mail para você assim que falecesse. Ele me mostrou o texto do seu blog emocionado e falou coisas muito bonitas sobre o amor que sentia por todos nós e se desculpava se nem sempre estava tão presente quanto gostaria. Acrescento que ele partiu essa madrugada de sexta-feira tranquilamente e sem dor, abraçado com papai e seu iPad (inseparável, aposto que vai procurar o Steve Jobs). Sentiremos muito a falta daquele menino que sempre tinha uma palavra carinhosa e um sorriso pronto nos lábios.

Querido Fred

 

Fiquei comovido com a honestidade em revelar aspectos da sua vida de um jeito tão afetuoso, gentil e claro. Eu também não sei cortar melancia direito. Achei de extremo carinho você não tentar me convencer de nada como fez o padre.

Nas suas palavras vi que a maior expressão do espiritual é a própria vida e as pessoas à nossa volta: o amor que me une à minha família e os meus amigos. Pensando assim, o meu quarto estava absurdamente lotado de coisas espirituais agora à pouco e pedi que todos me deixassem à sós por minutos para poder escrever essa mensagem. Prefiro que ela seja entregue à você quando eu morrer. Agora posso falar sem peso sobre a morte, pois sei que deixarei meu legado com todos: minha memória.

Meus amigos trouxeram um violão e me cantaram  músicas que eu gosto (uma delas http://www.youtube.com/watch?v=L3eiOMQVUqs). Meu pai fez bolo de laranja com suco de cajú de dar lombriga. Minha irmã recitou um poema de Vinícius de Moraes que me emociona. Minha namorada só chora e me beija (energia feminina pura) – bem que eu podia durar mais uns dias ;). Meu primo trouxe um pendrive com imagens do meu cachorro latindo para a camera. Mamãe já falecida, me veio fortemente na memória. Não tenho a pretensão de reencontrá-la, pois no meu coração ela nunca partiu. Estou meio sensível hoje! heheheh

Obrigado pela rapidez e prontidão em me responder, nem esperava um post para mim (mentira) e senti o carinho dos seus leitores. Se puder crie uma nota de falecimento no Facebook e peça a eles que compartilhem seu texto com todo mundo (quero ser um morto virtual famoso rsrsr). As pessoas à sua volta tem sorte em tê-lo em suas vidas, pena não ter sido seu paciente ou amigo. Fucei na internet (sou stalker) e vi que fará 31 anos em breve, parabéns psicólogo!

Após cremado, quando as cinzas forem atiradas ao mar digam: aqui nada um homem feliz! 🙂

Seguirei seu conselho: quero estar bem vivo quando eu morrer!

Um abraço e longa vida a você também…

Do amigo que parte, R.”

 

Hoje meu amor fica sem palavras e como foi pedido por R. se quiser compartilhe essa nota de falecimento. clique aqui

___________

 

Captura de Tela 2014-08-26 às 10.05.17* Frederico Mattos: Sonhador nato, psicólogo provocador, autor dos livros “Relacionamento para leigos (série For Dummies)[clique]“,  “Como se libertar do ex” [clique aqui para comprar] e “Mães que amam demais”. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas cultiva um bonsai, lava pratos, oferece treinamentos de maturidade emocional no Treino Sobre a Vida e se aconchega nos braços do seu amor, Juliana. No twitter é @fredmattos e no instagram http://instagram.com/fredmattos – Frederico A. S. O. Mattos CRP 06/77094

 

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  • Fred,quanta coisa sabia voce escreveu para R. espero que não só ele,mas todos que tiverem o privilegio de ler este artigo,consiga aproveitar o máximo dessa lição,que DEUS continue te iluminando,muita PAZ! Me identifico muito com o que voce escreve.

  • marly

    To emocionada, pelo que o R. escreveu e também pelo que voce respondeu Fred.
    Não to morrendo (graças a Deus) mas tudo isso que voce disse bateu em mim em cheio, se eu estivesse morrendo hoje com certeza morreria a mais viva que eu pudesse,como vc disse!
    Então diante da morte que é prá todos e não sabemos a hora, hoje só posso agradecer por estar viva e tendo o privilégio de ler coisas tão agradáveis sobre um assunto que nos dá tanto medo.
    Obrigado!
    Marly

  • Oi, R de Rodrigo. Oi, Fred.

    Graças a vocês eu decidi que se eu ficar sabendo de antemão da minha morte próxima, priorizarei a seguinte sugestão:

    “Nesse momento tente diminuir as suas pendências e diga o que vem no fundo do seu coração para os outros.” Eu farei isso por telefone e/ou telegrama. E provavelmente darei um feedback pros médicos marrudos do hospital. Um “se liga” e um “se cuida 1o”.

    Eu distribuirei meus bens e gastarei meu dinheiro até o último centavo em mim e nas outras pessoas, investindo naquilo que eu sempre acreditei. O projeto maluco de alguém, estudos pra outro, etc.

    Farei um testamento pro resto dos bens materiais.

    Formalizarei que sou doadora voluntária de orgãos.

    Pedirei para tirarem uma foto minha fazendo alguma cara cheia de significado, com o sentimento que eu tiver de mais forte, mas pelo lado positivo. (todo negativo tem o lado positivo) Por ex: “aproveitem essa merda de vida, seus fdp!” Aí imprimirei a foto e escreverei o recadinho atrás, pros mais tapados tb entenderem.

    Me hospedarei num quarto de hotel com vista pro mar ou pra montanha.

    Se eu tiver forças e fizer calor, eu correrei pelada pela rua.

    • Não precisa esperar o momento da morte para fazer isso! 😉

    • Juninho Oliani

      Nem sempere temos o “privilégio” de termos a morte assim….
      Pode ser que você caia numa calçada e possa morrer ali mesmo….
      E aí? Como vc vai fazer tudo isso em frações de segundos?

      Pense nisso 😉

      • A ideia do texto é que você não precisa estar a beira da morte para fazer nada disso. Mas viver de tal modo que não se arrependa depois e sem perder tempo para ser e fazer feliz!

  • Deusirene

    Olá caro R, olá Fred! Caro R, a sua história é muito comovente e não sei e nem tenho palavras para te aconselhar, não tenho essa habilidade. Mas, pelo que pude ver do que você escreveu, e concordando com o Fred, você de certa forma é privilegiado. No seu email você diz: “Tive uma vida cheia de acontecimentos, aproveitei tudo mesmo, sem exageros ou excentricidades.” E que bom que foi assim! Nem todos podem dizer isso. Eu, estou plenamente saudável, no entanto, a sensação de que não vivi, pior, que despedicei minha vida, persegue-me. E se hoje fosse meu último dia aqui, nessa vida, não poderia me despedir do mundo de consciência tranquila. Na ilusão de que eu tenho tempo, eu despediço (ou desperdicei, não sei) a minha vida. Seu email, me fez pensar nisso. E desculpe-me se falo de mim, mas, só sei escrever a partir de mim mesma. Egoísmo, verdade? Mas, só posso falar a partir da minha visão limitada e particular. Queria te dizer, que ler o que você escreveu me fez pensar na vida. Na oportunidade que você tem de se despedir dos que amam e de incentivar (como fez comigo) a que cada um se questione sobre a vida e a morte. Todos iremos morrer, mas, não pensamos nisso…

    E Fred, lindo texto. Eu me emocionei com cada palavra lida. E partilho de muitos sentimentos que você descreveu. Parece que todos nós, temos, em maior ou menor escala, medos parecidos, fugas e certezas que um dia se transformam.

    O meu Muito obrigada tanto ao Caro R, quanto a você Fred. O meu abraço afetuoso a ambos.
    Deusirene.

  • Seu comentário está aguardando moderação.

    Difícil seguir o enredo até o final… Me senti na ponta do penhasco (foto), quase que despencando grudado a você e ao que argumentou do começo ao final… Você se saiu muito bem. Não quero estragar uma resposta lúcida com meu ponto de de vista turvo sobre o tema abordado… Tomara que outras pessoas, muitas, possam ler este seu tópico/resposta tão bem elaborado…
    Boa sorte, Fred amigo!

  • Noutro dia escrevi este texto que intitulei
    “Ontem, Hoje, Amanhã e Depois”

    Nada e tudo
    Ideia e materialização
    Os céus e os infernos
    O interno e externo
    Os altos e baixos
    Frio e calor
    Água e fogo
    Terra e ar
    O mineral e o vegetal
    O animal e o hominal
    O inverno e o verão
    Outono e primavera
    Os tropeços e amparos
    As quedas e os soerguimentos
    Infância, juventude, maturidade…
    Sabedoria!
    E infância mais uma vez.
    As trevas, a luz, o ocaso…
    Trevas novamente
    E o amanhecer.
    A vinda, a ida e a volta.
    Ontem fui nascimento
    Hoje sou vida
    Amanhã serei morte
    E da morte
    Farei vida novamente.

    Aviv
    14/Out/2011

  • Selma

    Fred e rico de alma:

    Você escreveu isso tudo ao R que está no fim da vida, para você mesmo como um desabafo ou para o mundo que o ler, que também não será por acaso???
    Te juro que vou começar a pensar em planejar minha morte para que eu continue viva da melhor forma possivel!

  • Vivianne

    Olá Fred, Fiquei comovida com as suas palavras ao senhor R. Vi pelo facebook, não conhecia seu blog…entretanto, agora você tem uma nova leitora.

  • Johnny

    Você é um ótimo escritor de ficção, Fred. Parabéns, cara!

    • caroline

      Foi a primeira coisa q pensei tb.. E depois repensei que a veracidade nao eh o mais importante. Jesus Cristo, moises, buda.. Ninguem desse seculo tem absoluta certeza que eles existiram e no entanto eles movem naçoes atraves da fe das pessoas. Nao professo nenhuma fe particular, acredito no sol 🙂 mas tenho evidencias q nao eh a veracidade das coisas que sensibiliza senao sua hipotese assumida como verdade.

  • Carol

    Caro Fred,
    entrei no seu blog ao ver postado no face de um grupo o que o R escreveu p vc. É um grupo de cuidados paliativos. Confesso que nem sempre leio os artigos que postam. Apenas vejo a notícia principal, o título. Neste caso, estava escrito,” ‘O que falar para alguém que está prestes à morrer?’ – Nota de Falecimento de R. “. Fiquei curiosa. Então li. Trabalho hj com pessoas com câncer e trabalho, de uma certa forma, com cuidados paliativos tb. Sou psicóloga, assim como vc. Me emocionei ao ler o que vc publicou no seu blog. A carta de R. E, por mais experiência que eu, pretenciosamente, acho que tenho, não conseguiria responder de uma forma tão tocante e apropriada ao R. Foi p mim extremamente gratificante ter tido a oportunidade de ler algo tão sincero e verdadeiro de ambos os lados. Adoraria ter conhecido R, pois sei que certamente, teria aprendido muito com ele. E, agora que sei de sua existência e a do seu blog, passarei a lê-lo mais vezes e, se possível, poder trocar experiências com vc. Obrigada a ambos por compartilharem conosco algo tão importante e significativo!

  • Kátia Cristina

    Vc é incrivel.
    Amei a resposta ao jovem que estava prestes a morrer.
    A forma como se colocou diante de uma situação tão dificil e inusitada.
    Embora sua formação tenha o preparado para lidar com situações, imagino que essa seja uma na qual jamais tenhas imaginado passar.
    Sua resposta foi de uma delicadeza impressionante.
    E com certeza faz com que todos pensemos mais na forma como vivemos.
    Parabéns ao profissional, mais que isso parabéns ao ser humano notável que você se mostrou.

  • Estava aqui de madrugada, 3h11, e me deparei com esse texto. Tenho 25 anos sou do tipo nova geracao, que nao le, ainda mais qd se trata de texto longos como esse. Nao sei pq diabos li todo, mas li. Sou o tipico cara bem humorado, que faz piada o tempo todo e meus amigos sempre dizem se nao compareco em algum lugar meu bom humor faz falta. O fato é que li esse texto e chorei igual a uma crianca aqui em meu quarto, nem sabia que tinha essa sensibilidade toda e entao falei “po que palavras bacanas, tanto as do R. como as suas em sua resposta. Pensei tb (a frase é cliche, contudo verdadeira) realmente so se vive uma vez”.

    Achei que voce merecia um recado de parabens por esse texto, pensei e larguei de lado como faço em várias coisas na minha vida, e nao sei pq diabos também, voltei e escrevi. É a primeira vez que escrevo assim em blogs, provavelmente nunca mais entre aqui em seu blog de novo mas como te achei um cara bacana to te seguindo no twitter hehehe. De qlq forma fica aqui meus parabens e meu obrigado.

  • Mirella

    INCRÍVEL

    • É… Concordo… eu ainda não me recuperei dessa história… 😉

  • Francisco de assis do nascimento

    Um bom texto deve ser sempre elogiado. Sou daqueles que se deixam impressionar até por um parágrafo inteligente. E o seu texto é inteiramente inteligente e tão lúcido quanto o que suscitou sua criação. Me emocionou pelo exemplo de humanidade, dignidade e, sobretudo, lucidez. Deverá reconfortar muita gente em igual situação. A mim me reconfortou imensamente.

  • Juninho Oliani

    Sinceramente, não gosto de ler textos longos, mas acabei lendo esse por um post no facebook.
    Estou no trabalho e tirei 5 minutinhos para ler. Não me arrependo de cada segundo perdido (ou ganhado) para essa reflexão.
    Gostei muito desse texto, achei muito bacana cada resposta sua ao R., e por isso estou compartilhando-o com todos que conheço.

    Parabéns!!!

  • muito bom! parabéns!

  • Ana Beatriz Lacerda

    Incrível, fiquei emocionada. Não conhecia este Blog mas agora visitarei sempre.
    Belas palavras suas….

  • Deide

    Oi Frederico,

    Dificil tarefa a de falar para alguém que está morrendo, mas sábias palavras. Parabéns.

  • leitor triste

    Pessoal… Emocionante, de início ao fim.
    Espero que o rapaz tenha ido em paz.

    Mas uma coisa (cruel, talvez), já que a todo ser humano é dado o poder de duvidar:

    será que era verdade?

    • Fiz a mesma pergunta a princípio, mas resolvi seguir minha intuição e ela me disse que eu devia seguir…

  • leitor triste

    Outra coisa: confesso que fiquei com um poko de preconceito, pq acho que esse tipo de texto, de cunho morboso/sentimental, sempre atrai as pessoas, e de fato não sei se isso é uma coisa boa.
    Só sei que foi demais a experiência de vida nesse texto.

  • nelize dezzen

    Parabéns, Fred. Texto iluminado, que com absoluta certeza desperta todos nós para o real sentido de viver. Obrigada,

  • Boa noite Fred,

    Fiquei muito emocionada ao ler seu texto, me indicaram seu post pelo FB, pois há 23 dias atrás (30/09/2011) devolvi minha mãe a Deus, e hoje devolvemos também um irmão (que se foi no mesmo dia do R. nesta sexta-feira – 21/10/2011), os dois morreram de câncer em menos de um ano do diagnóstico (ambos foram diagnosticados em abril deste ano).
    A morte que para muitos é trágico, nos trouxe conforto, pois essa doença CÂNCER (Melanoma (mãe) e Leucemia (irmão)) é muito cruel, e graças a Deus, Ele foi misericordios ao cortar o sofrimento de ambos.
    Conforta também saber que viveram a vida plenamente, pois os dois sabiam viver, não se prendiam ao trabalho e nem ao dinheiro… Eles adoravam VIVER, viajaram muito, e cada um a sua maneira aproveitou a vida da forma que mais gostava (um no campo, em pescarias e reuniões de família, e outro em festas, baladas e sempre adorava reunir a família também). A música epitáfio, nos chama à realidade, que devemos VIVER e AMAR sempre mais e mais.. E assim, essas duas jóias preciosas de nossa família o fizeram, graças a Deus!

    Deixaram saudades, pois somos humanos e sentimos por não vê-los mais em um corpo encarnado, mas deixaram ensinamentos também, exemplos de Seres Humanos, exemplos de superação, força e garra, pois lutaram para viver na Terra até o último suspiro, sempre otimistas, e com sorriso nos lábios.
    Nesse momento, sei que continuam vivendo plenamente, sei que estão bem VIVOS na Pátria Espiritual e dentro de nossos Corações e memórias.
    Deus nos consola e conforta sempre, Ele não nos dá o fardo que não conseguimos carregar. E como minha mãe dizia: Não cai uma só folha de árvore, sem a permissão do Pai!

    Mesmo que os designios de Deus nos façam sofrer, ou pareça ser injusto em determinados momentos, temos certeza que Ele sempre faz melhor.

    As lágrimas brotam do rosto, e sei que sempre brotarão, pois são lágrimas de saudade, porém me sinto muito feliz, pois se eles aqui estivessem, estariam sofrendo, e como dói, ver os que a gente ama sofrerem.

    Sendo assim, não sejamos egoístas ao devolver nossos bens mais preciosos a Deus, pois estamos aqui apenas de passagem. E acredito que o reencontro é certo!

    Linda noite a todos, e lembremos sempre que o AMOR é o combustível da VIDA, então vamos aproveitar para AMARmos sempre uns aos outros (amigos e inimigos, por mais difícil que seja), visto ser a máxima dos Mandamentos de Jesus: “Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo”

    Abraços magnéticos com suave perfume de flores a todos, e em especial à Minha Linda Mãe, ao meu irmão, ao R. (responsável pelo post), aos familiares de R., e ao Fred!

    PS: Parabéns pelo seu aniversário.. Continue sempre assim, vivendo mesmo que as vezes se sinta perdindo, continue sempre amando o próximo como o faz muito bem no seu blog ao escrever esses textos, e amando os que te cercam em sua vida diária!
    SALVE 24/10/1980 dia que vinheste ao Mundo Terreno! Parabéns pela linda missão que vem desenvolvendo e pelo seu livro, livro este que escrevemos dia a dia, pois tenho certeza que o seu está sendo muito bem escrito! Que Deus nos abençoe sempre!

  • Engraçado as coincidências da vida, no dia seguinte do post recebi de uma lista que assino a mensagem do trungpa riponche com o título “conselho para uma pessoa morrendo”. Bem interessante e alinhado com o que foi falado aqui:

    http://www.oceanofdharma.com.br/conselho-para-uma-pessoa-morrendo/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+OceanoDeDharma+%28Oceano+de+Dharma%29

  • Janete

    EMOCIONANTE!!….. Uma verdadeira reflexão.

  • Beta

    Olá Fred,

    Muitas vezes nos sentimos perdidos e sozinhos, e com vontade de disistir da vida…. mas em poucas palavras (com sentimentos reais) é possível refletir sobre o que realmente importa. Sei que não tenho sua habilidade de escrever, mas suas palavras tocaram meu coração e minha alma.

    Parabéns!!!

  • Just me

    Olá!
    Fiquei muito surpresa com suas palavras, que muito me fizeram refletir sobre a morte e a vida.
    Obrigada à você e ao R. (e ao Steve Jobs tb, q colocou o iPad no mervado para que o R. comprasse e usasse um em seus últimos instantes, brindando-nos com esse “provocar” você)

  • Grasielle

    LINDOOO! SEM PALAVRAS!
    NÃO PARO DE COPIAR E COLAR ESSE LINK…TO MANDANDO PRA TODOS AMIGOS ASSIM: LEIA VALE MUITO A PENA!!!
    …DIVULGANDO O BLOG PRA GERALLLLL!!! RSRSR
    PARABÉNS PELA VIDA, PELA OPORTUNIDADE, PELA LUMINOSIDADE!!! o BLOG ESTÁ DEMAIS!

  • Grasielle

    lindoooooo, uma lição:
    “A sua vida é a melhor que você pode viver, olhe com compaixão por ela, nada acrescente nela e muito menos mutile. Tudo ali é do tamanho que devia ter. ”

    “Com o tempo eu percebi que a cereja do bolo da minha vida não foi composta de grandes eventos ou celebrações. Mas foi no tecido invisível dos minutos discretos que ninguém reparava. Eu sempre soube que aqueles pequenos gestos de gentileza é que realmente fazem a diferença”

    – MORRA O MAIS VIVO QUE PUDER!!!

  • Rhaniel Carvalle

    Não sei o que escrever…
    Não sei o que pensar…
    Não sei.

    Obrigado!

  • Nina

    Frederico
    acompanho suas postagens aqui, pelo face e no papodehomem e tranquilamente posso dizer que na minha opinião esse foi o seu texto mais incrivel…
    fiquei sem palavras!

    Parabens =]

  • Arthur Paixão

    Frederico,
    ótimo texto e comovente relato, tanto o seu quando o do falecido R. Agradeço por essa oportunidade de entrarmos em contato de forma tão singela com um assunto que assusta a todos nós. Continue com o excelente trabalho que com certeza ajuda muitas pessoas.

  • Marcia

    O melhor texto do Blog. De uma sensibilidade incrível. Parabéns por mais essa lição de vida e obrigada por dividir tamanha sinceridade!

  • Elessandra

    Olá Fred,

    Ler este post fez e ainda fará muita diferença em minha vida!

    Parabéns!

    Obrigada.

  • Livia

    Oi, fred!

    Descobri seu blog há pouco e tem sido de muita valia, parabéns pelos textos e enfoques.

    Este em particular me emocionou muito. Há 5 anos tive um ca. Não vai me matar, estou curada, porém diminuiu minha qualidade de vida.

    Na prática, tive q recomeçar antigos planos (tive q lidar com diversas limitações, às vezes sutis, q me obrigam hj a ser mais paciente comigo mesma). Saber quais são os meus limites tem sido o mais difícil, pq ainda tenho sonhos q gostaria de realizar.

    E muitas pessoas não entendem isso. É como se eu estivesse no lucro rs. E descobri q, para mim, isso é morte em vida.

    Concordo contigo qd diz das pessoas q amamos e são importantes, mas, p mim, foi novidade perceber um caminho solitário, intransferível que venho trilhando.

    Para terminar, o conselho que mais ouvi de todos foi que eu devia viajar kkkk. 🙂

    Abraços!

  • tiago

    eu conheci uma garota ela tem 16 anos e eu tenho 18 eu conheci ela na porta da casa dela epor que ela é vizinha de um amigo meu e eu vi ela sentada la e decide falar com e nos começamos a convesar e se tornamos amigos e com passar do tempo eu começei a gostar dela e acho qui ela de min e agora e no ano novo fizemos um ano de namoro e faço de tudo por ela se ela ta triste eu alegro ela se ela precisa de alguma coisa eu dou um jeito de conseguir pra ela quando ela tava doente eu cuidava dela so qui ela nao valoriza o qui faço pro ela ela ignorante e me trata mal e eu toh muito doente acho qui vou morrer tentei falar pra ela so qui ela ficou chatiada e enm sei por que o que devo fazer?

  • Fabíola

    Muito bonita sua carta, Fred, e achei muito interessante quando o rapaz que morreu diz “As pessoas à sua volta tem sorte em tê-lo em suas vidas, pena não ter sido seu paciente ou amigo.”

    Aqui do outro lado da tela, fico com essa mesma impressão que ele, mesmo que nem sempre voceê responda meus emails..rsrsrsrs

    Tchau, Fred, e parabéns pelo seu trabalho.

  • Se eu sentisse a proximidade da morte….
    … eu finalmente organizaria uma série de artigos que fiz sobre os aprendizados da vida (eu vou escrevendo e jogando em uma pasta no computador), para deixar aos filhos e às futuras gerações.

    E como bom burocrata que sou, e como bom cidadão preso a ideias de responsabilidade, correria a tomar todas as medidas burocráticas necessárias à manutenção da sobrevivência da minha família – reuniria documentação de seguros, cuidaria da pensão, dos imóveis, etc.

    De fato, se eu morresse hoje, lamentaria morrer anônimo. Lamentaria ser esquecido.

    Aos poucos, percebo que há muito do livro “A morte de Ivan Ilicht” nisso…